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Cultura & Sociedade

A cerveja perde espaço: direita americana lidera queda histórica no consumo de álcool

Redação

29 de setembro de 2025


O astro da luta livre Hulk Hogan voltou aos holofotes recentemente, não pelos ringues, mas por um evento de marketing que terminou de forma inesperada. Em um supermercado no interior de Nova York, o ex-campeão da WWE reuniu centenas de fãs para promover sua nova cerveja, a Real American Beer, criada para surfar na onda do boicote conservador contra a Bud Light. A ação, porém, foi interrompida abruptamente quando Hogan decidiu encerrar o encontro no meio do tumulto, deixando para trás uma multidão frustrada e uma marca ainda em busca de afirmação.


O episódio simboliza um fenômeno mais amplo: a relação entre a direita americana e a indústria da cerveja passa por uma transformação profunda. Dados recentes da Gallup mostram que a proporção de adultos nos Estados Unidos que consomem álcool caiu para 54%, o índice mais baixo em quase nove décadas de levantamento. Entre os republicanos, essa queda foi ainda mais acentuada — apenas 46% declararam ter consumido bebidas alcoólicas no último ano, um recuo expressivo desde 2023, quando começaram os boicotes à Bud Light.


Essa mudança de comportamento desafia estereótipos. O Partido Republicano, que tem conquistado eleitores mais jovens, principalmente homens, está à frente de uma tendência de abstinência que cresce rapidamente. A participação de jovens adultos entre 18 e 34 anos que não bebem saltou de 41% para 50% em apenas um ano, invertendo expectativas do mercado de bebidas.


Para analistas financeiros, a explicação não é apenas cultural. Especialistas do Barclays apontam que fatores econômicos, como incertezas provocadas por tarifas comerciais e políticas da administração Trump, ajudaram a reduzir o consumo. O boicote à Bud Light, embora tenha sido um estopim, não explica sozinho a velocidade da transformação.


Outro elemento importante está ligado ao ambiente político e social. As operações de imigração intensificadas pelo governo Trump criaram um clima de insegurança em comunidades latinas, que representam uma parcela expressiva do público consumidor de cerveja nos EUA. Empresários do setor relatam que o medo de deportações reduziu encontros sociais e o consumo em bares e restaurantes, afetando diretamente as vendas.


Empresas como a Constellation Brands, que têm metade de sua base de clientes entre hispânicos, registraram queda significativa no volume de vendas no primeiro semestre de 2025. A combinação de boicotes ideológicos, retração econômica e clima político tenso está redesenhando o panorama do setor.


O slogan estampado na camiseta de Hulk Hogan — “América Primeiro, Cerveja Segundo” — acabou ganhando um significado inesperado. A cruzada conservadora contra grandes marcas de cerveja evoluiu para um movimento mais amplo de afastamento do álcool, com impactos econômicos e culturais ainda difíceis de dimensionar.

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