Cultura & Sociedade
Álcool e câncer de mama: o Risco invisível de uma dose diária
Redação
26 de setembro de 2025

Uma simples taça de vinho ao final do dia, considerada por muitas como um momento de relaxamento, pode esconder um risco silencioso que desafia a percepção comum sobre o consumo moderado de álcool. O que parecia um hábito inofensivo revela-se, na verdade, uma ameaça concreta à saúde feminina, com consequências que se acumulam a cada dose consumida. A relação entre álcool e câncer de mama vai além do senso comum, mergulhando em mecanismos biológicos complexos que transformam moléculas aparentemente simples em agentes cancerígenos poderosos.
O organismo humano processa o etanol presente nas bebidas alcoólicas convertendo-o em acetaldeído, uma substância reconhecidamente cancerígena capaz de causar danos diretos ao DNA celular. Esse processo bioquímico desencadeia uma cadeia de eventos que vai desde o aumento da inflamação sistêmica até alterações significativas nos níveis hormonais, particularmente do estrogênio, hormônio intimamente ligado ao desenvolvimento do tipo mais comum de câncer de mama. A bebida alcoólica atua ainda como solvente para outras substâncias cancerígenas, facilitando sua absorção pelo organismo e amplificando os riscos.
Os números apresentados por relatórios médicos especializados são alarmantes: em 2019, cerca de 270 mil casos de câncer de mama foram diagnosticados em mulheres nos Estados Unidos, sendo que aproximadamente 44.180 desses casos – equivalente a 16,4% do total – estavam diretamente relacionados ao consumo de álcool. O risco mostra-se cumulativo, aumentando progressivamente com cada dose adicional ingerida, desmistificando a ideia de que exista um limite seguro para o consumo regular.
Mulheres que consomem menos de uma dose de bebida alcoólica por semana apresentam risco de câncer de mama de cerca de 11,3% ao longo da vida. Quando esse consumo sobe para uma bebida diária, o risco salta para 13,1%, e aquelas que ingerem duas doses por dia enfrentam probabilidade de 15,3%. Esses dados significam que aproximadamente quatro mulheres a mais em cada grupo de cem desenvolveriam câncer de mama devido especificamente ao consumo de duas bebidas alcoólicas diárias.
A falsa segurança oferecida pela variedade de bebidas disponíveis no mercado também é desconstruída pela evidência científica. Não existe tipo de álcool considerado saudável quando se analisa o risco de câncer – vinho, destilados e cerveja, todos aumentam o perigo, variando apenas na concentração alcoólica. Durante o tratamento contra o câncer, a abstinência torna-se ainda mais crucial, pois o álcool pode interferir na eficácia terapêutica, agravar efeitos colaterais e aumentar o risco de segundos tumores primários.
Embora o câncer de mama em homens seja raro e geralmente associado a fatores genéticos, o álcool continua representando ameaça significativa ao sexo masculino, elevando o risco de seis outros tipos de câncer: colorretal, esofágico, laríngeo, hepático, oral e de garganta. O consumo de álcool é considerado uma caloria vazia, contribuindo para o ganho de peso indesejado, e a obesidade constitui fator de risco adicional para o desenvolvimento de diversos tipos de câncer.
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