Cultura & Sociedade
Paris e Barcelona restringem, Berlim abre os braços para novos turistas
Redação
21 de agosto de 2025

Enquanto multidões de turistas invadem as ruas de Paris e Barcelona, provocando protestos locais e medidas restritivas, Berlim estende um convite diferente: venham para onde há espaço, sombra e temperaturas mais amenas. A capital alemã, conhecida por sua vasta extensão territorial e população que tradicionalmente foge da cidade no verão, se reposiciona no cenário turístico europeu como um refúgio contra a saturação que afeta destinos mediterrâneos.
Os números revelam uma realidade contrastante: Berlim recebeu 5,9 milhões de visitantes no primeiro semestre, registrando 13,9 milhões de pernoites, números que representam quedas de 1,8% e 2,9%, respectivamente, em relação ao ano anterior. A ocupação hoteleira média de 52,8% fica significativamente abaixo dos 65% de Madrid e dos 79% de Paris, indicando que a recuperação pós-pandemia segue em ritmo mais lento na capital alemã. Comparado aos quase 14 milhões de turistas de 2019, o desafio de retomar os níveis pré-crise permanece tangível.
O setor turístico representa apenas 4,6% da economia berlinense, incluindo efeitos indiretos, percentual modesto quando comparado aos 14% de Paris e Roma ou aos 8% de Madrid. Esta dependência menor do turismo internacional, com maior foco em viajantes alemães mais conscientes dos custos, revela uma estrutura econômica distinta que agora busca se reposicionar diante das novas realidades climáticas e comportamentais pós-pandemia.
Entre os obstáculos ao crescimento estão os custos operacionais do novo aeroporto de Berlin, inaugurado em 2020, que tem capacidade para 50 milhões de passageiros mas movimentou apenas 25,5 milhões em 2024. A Ryanair reduziu voos em 20% no ano passado, com reclamações reiteradas sobre taxas excessivas. Apesar das passagens aéreas mais caras, restaurantes, hotéis e atrações mantêm preços moderados.
Outro fator preocupante são os cortes orçamentários no setor cultural, tradicionalmente um dos principais atrativos da cidade. O governo local pretende reduzir cerca de 130 milhões de euros do orçamento cultural de 2025, medida criticada pelo deputado verde Julian Schwarze como "orçamentação catastrófica". Ele alerta: "Se surgir a impressão de que a cultura está se perdendo, então economizarei a viagem para Berlim". Esta tensão entre oferta cultural e restrições financeiras adiciona complexidade ao reposicionamento turístico da cidade.
As temperaturas máximas de verão contrastam com as intensas ondas de calor registradas no sul europeu, posicionando Berlim como um destino atraente para quem busca climas mais amenos. A cidade destaca-se por sua extensa cobertura verde, lagos e canais que oferecem diversas opções de lazer e natação, além da abundância de parques e áreas sombreadas que contribuem para o conforto climático.
Enquanto algumas cidades europeias implementam restrições ao turismo massivo, Berlim explora um caminho alternativo, capitalizando suas características urbanas singulares e condições climáticas favoráveis. As chegadas internacionais caíram 4,7% no primeiro semestre, mas a cidade se prepara para um possível redirecionamento dos fluxos turísticos continentais nos próximos anos.
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