Sustentabilidade & Futuro
China Impulsiona economia marinha com inovações sustentáveis
Redação
19 de agosto de 2025

O mar está se consolidando como um dos pilares estratégicos para o crescimento econômico da China, impulsionando iniciativas que vão desde a geração de energia renovável até a digitalização completa da gestão de seus vastos recursos marítimos. Desde que Pequim incorporou oficialmente a chamada “economia marinha” em sua visão de desenvolvimento para 2035, ao menos dez regiões provinciais, incluindo grandes centros como Xangai, já lançaram planos próprios de crescimento voltados especificamente para este setor. A aposta reflete a ambição chinesa de transformar o mar em motor de inovação, sustentabilidade e segurança nacional.
A província de Fujian, localizada no sudeste do país, é apontada como protagonista desse processo. Reconhecida por sua forte ligação histórica com a pesca e o comércio marítimo, Fujian elaborou um plano quinquenal (2026-2030) dedicado exclusivamente à economia marinha, considerado um dos mais ousados e abrangentes do país. Entre as medidas em andamento está a criação de plataformas digitais integradas que reúnem bilhões de dados sobre pesca, transporte marítimo, condições meteorológicas e até monitoramento ambiental. “Fujian está construindo um modelo pioneiro para a governança marinha digitalizada”, afirmou um representante local, destacando que a gestão inteligente permitirá otimizar recursos, reduzir desperdícios e prevenir riscos ambientais.
A digitalização da economia marinha não é apenas um projeto tecnológico, mas uma forma de dar mais previsibilidade e eficiência a setores estratégicos. No caso da pesca, por exemplo, os sistemas permitem identificar áreas de sobrepesca e planejar políticas de preservação mais eficazes. Já no transporte marítimo, a coleta massiva de dados pode otimizar rotas, reduzir custos logísticos e contribuir para a descarbonização das cadeias globais de suprimento — um ponto central em meio às pressões internacionais pela redução das emissões de gases de efeito estufa.
Outro destaque do plano de Fujian é a expansão acelerada da geração de energia offshore. A província já soma 4,1 gigawatts (GW) de capacidade instalada em energia eólica e solar no mar, reforçando a aposta chinesa em fontes renováveis para atender ao crescimento urbano e industrial. O investimento está alinhado às metas nacionais de atingir o pico das emissões de carbono até 2030 e alcançar a neutralidade climática em 2060, posicionando a economia marinha como um braço essencial da transição energética do país.
Além da energia e da digitalização, o governo chinês também vê o setor marítimo como peça-chave para sua segurança alimentar e tecnológica. A maricultura e o cultivo sustentável de frutos do mar, já em expansão, são tratados como prioridades, ao mesmo tempo em que empresas estatais e privadas desenvolvem novos materiais, sensores oceânicos e tecnologias de monitoramento ambiental. Esse movimento converge com a estratégia mais ampla de “segurança nacional holística” da China, que integra defesa, inovação e meio ambiente em uma única visão de futuro.
Especialistas ressaltam que a liderança de Fujian no setor também tem valor simbólico. A província está estrategicamente localizada em frente a Taiwan, em uma área de grande importância geopolítica e militar. Ao fortalecer a economia marinha nessa região, Pequim envia sinais não apenas de inovação econômica, mas também de presença estratégica no mar.
No longo prazo, a expectativa é que o modelo de Fujian sirva como referência para outras províncias costeiras, como Guangdong e Shandong, que já desenvolvem projetos semelhantes. O movimento reforça a percepção de que, para a China, o mar deixou de ser apenas uma fronteira geográfica para se tornar um campo de disputa econômica, tecnológica e ambiental, com implicações diretas para a sua projeção global no século XXI.
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