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Sustentabilidade & Futuro

China acelera corrida pela IA com crescimento anual de 46% em capacidade computacional

Redação

25 de agosto de 2025


A China está acelerando de forma inédita sua capacidade de computação inteligente, pilar fundamental para o avanço da inteligência artificial. Segundo relatório conjunto da International Data Corporation (IDC) e da Inspur Information, a capacidade de processamento dedicada à IA deve crescer a uma taxa composta anual de 46,2% entre 2023 e 2028. Isso representa mais que o dobro do crescimento esperado para a computação de propósito geral, consolidando a inteligência artificial como motor de expansão econômica de longo prazo.


Esse ritmo acelerado pode adicionar vários trilhões de yuans — o equivalente a mais de US$ 1,5 trilhão — à economia chinesa até 2035, graças à criação de um mercado unificado de dados e de poder computacional. A projeção se insere em um plano nacional de longo alcance, que busca transformar a infraestrutura tecnológica em instrumento de crescimento sustentável e estratégico, semelhante ao que os Estados Unidos fizeram no passado com a internet e a União Europeia vem tentando consolidar com a regulação de dados.


Pequim está costurando uma rede nacional de computação integrada que une regiões geograficamente distantes e economicamente desiguais. Já são dez províncias e municípios participantes — de Xangai e Zhejiang, no leste altamente industrializado, até Qinghai e Xinjiang, no oeste menos desenvolvido. Essa rede tem o objetivo de conectar empresas que necessitam de alto poder computacional a provedores com recursos subutilizados em outras partes do país.


De acordo com a televisão estatal CCTV, mais de 100 provedores de serviços, 1.000 usuários industriais e cerca de 100 modelos de IA já foram cadastrados na plataforma unificada. Esse modelo de compartilhamento de capacidade computacional, que lembra os mercados globais de energia elétrica ou de créditos de carbono, demonstra a ambição chinesa em escalar a IA de forma descentralizada, mas sob uma coordenação nacional.


Nos últimos cinco anos, o país investiu de forma maciça na construção de centros de dados, no desenvolvimento de chips avançados e na modernização da infraestrutura digital. Apenas em 2025, a capacidade de computação inteligente deve crescer 43%, enquanto a capacidade computacional geral, usada também em serviços mais tradicionais, cresce em média 30% ao ano. O contraste ilustra a prioridade absoluta da IA no planejamento estratégico chinês.


Esse esforço se insere em uma estratégia mais ampla de autossuficiência tecnológica. A China busca reduzir sua dependência de semicondutores importados, em especial diante das restrições impostas pelos Estados Unidos e seus aliados. A corrida global pela liderança em inteligência artificial é também uma disputa geopolítica: Washington concentra hoje as maiores empresas de chips, como Nvidia e AMD, enquanto a Europa investe em regulação, mas ainda carece de escala produtiva.


Para dar dimensão global a esse movimento, vale lembrar que a China já superou os Estados Unidos em capacidade total de computação, segundo dados oficiais divulgados em 2024. Contudo, a diferença está na qualidade: boa parte do parque tecnológico chinês ainda é formado por chips de gerações anteriores. O esforço atual, portanto, não é apenas quantitativo, mas qualitativo — um salto de sofisticação necessário para disputar a liderança em inteligência artificial generativa e em soluções industriais baseadas em algoritmos avançados.


Rao Shaoyang, pesquisador do Instituto de Pesquisa da China Telecom, destacou que “a IA poderia contribuir com mais de 11 trilhões de yuans — cerca de US$ 1,5 trilhão — para o PIB da China até 2035”. Esse valor é comparável ao PIB atual de países como Espanha ou México, o que mostra a escala transformadora da tecnologia. Para Pequim, a inteligência artificial não é apenas um setor econômico emergente, mas a infraestrutura sobre a qual toda a economia digital será construída.


Do ponto de vista ambiental e energético, o investimento também tem implicações estratégicas. Centros de dados consomem volumes imensos de energia, e a China tenta alinhar sua expansão tecnológica com metas de sustentabilidade. A aposta é que algoritmos mais sofisticados tragam eficiência no uso de energia e recursos, ajudando o país a equilibrar crescimento industrial com compromissos climáticos — algo que dialoga com os objetivos globais da transição verde.


Ao mesmo tempo, o país precisa enfrentar desafios de padronização, segurança cibernética e integração entre regiões. O sucesso da plataforma unificada depende não apenas da construção de infraestrutura física, mas também da criação de regras claras de compartilhamento de dados e da confiança de empresas privadas. Nesse ponto, a experiência chinesa será observada de perto por outros países: se funcionar, pode servir como modelo global para estruturar mercados nacionais de poder computacional.


No tabuleiro global, Pequim aposta que o próximo grande salto de riqueza e influência será definido não apenas por quem tem mais petróleo ou mais fábricas, mas por quem controla mais capacidade de computação inteligente.


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