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Sustentabilidade & Futuro

Ambientalista é demitido ao recusar voos por convicção ambiental

Redação

22 de agosto de 2025

O transporte aéreo responde por cerca de 2,5% das emissões globais de CO₂, um dado que motivou o climatologista italiano Gianluca Grimalda a tomar uma decisão radical: abandonar completamente os voos em nome da sustentabilidade. A escolha custou-lhe o emprego no Instituto para a Economia Mundial da Alemanha, tornando-o o primeiro funcionário conhecido a ser demitido por recusar viagens aéreas por convicção ambiental.


Grimalda, economista e pesquisador climático de 53 anos, transformou sua jornada em um manifesto vivo contra a crise planetária. Após uma miss científica na Papua-Nova Guiné, ele optou por retornar à Europa através de uma epopeia de meses utilizando apenas trens, cargueiros, balsas e caronas, percorrendo dezenas de milhares de quilômetros em modais de baixo carbono. Sua determinação resultou na demissão, mas também em uma vitória judicial histórica que condenou seu empregador a indenizá-lo por discriminação ideológica.


O pesquisador documentou sua transformação no livro "A fuoco. Il mondo brucia, è ora di disobbedire" (Em chamas. O mundo queima, é hora de desobedecer), onde relata como "o mundo queima" e defende a desobediência civil como resposta necessária à emergência climática. Sua história ganhou dimensão global através do documentário "The Researcher", premiado no Festival do Filme Climático de Frome no Reino Unido, que acompanha sua trajetória de cientista convencional a ativista climático.


Apesar da vitória legal em janeiro de 2025, quando a justiça alemã reconheceu a ilegalidade de sua demissão, o tribunal considerou existir "incompatibilidade das convicções ideológicas das partes" para determinar sua reintegração. O caso estabeleceu um precedente significativo para trabalhadores que buscam alinhar sua prática profissional com seus valores ambientais, abrindo caminho para discussões sobre direitos climáticos no ambiente laboral.


Atualmente, Grimalda percorre a Europa de trem e ônibus para promover sua mensagem, tornando-se um símbolo do movimento pela mobilidade sustentável. Sua figura distintiva - cabelos grisalhos rebeldes, colares tradicionais da Papua-Nova Guiné e uma mala contendo apenas uma caixa de Marmite, pasta salada edição especial Elton John - personifica a resistência pacífica contra a cultura da aviação rápida e seus impactos ambientais.


O pesquisador mantém seu compromisso mesmo após o revés profissional, demonstrando que mudanças profundas exigem sacrifícios individuais coletivos. Sua trajetória ilustra a crescente tensão entre as exigências do sistema econômico globalizado e a urgência da transição ecológica, questionando até que ponto as instituições estão dispostas a adaptar-se aos imperativos climáticos do nosso tempo.

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