Negócios & Transformação
Cofundador da Ben & Jerry's deixa empresa após disputa com Unilever sobre Gaza
Redação
17 de setembro de 2025

A saída de Jerry Greenfield, um dos fundadores da Ben & Jerry’s, representa um risco reputacional significativo para a Unilever, controladora da marca, em meio ao crescente escrutínio internacional sobre o posicionamento de empresas diante de questões geopolíticas. Greenfield anunciou sua aposentadoria após quase cinco décadas, acusando a multinacional britânica de silenciar a missão social que sempre foi um diferencial da marca, especialmente no contexto do conflito em Gaza. O anúncio foi acompanhado de uma carta aberta divulgada por seu sócio Ben Cohen, também cofundador.
O embate entre Ben & Jerry’s e Unilever ganhou força em 2021, quando a marca decidiu encerrar suas vendas na Cisjordânia ocupada, classificando a operação como “incompatível com nossos valores”. A decisão resultou em atritos com a controladora, que buscou preservar seus contratos e presença global, levando a uma disputa judicial na qual a marca acusou a Unilever de limitar sua autonomia.
Na carta de despedida, Greenfield afirmou que a independência da Ben & Jerry’s “existia em grande parte devido ao único acordo de fusão que Ben e eu negociamos com a Unilever”. O comentário sugere que, segundo sua visão, a empresa britânica violou o espírito do pacto que permitiu à marca manter diretrizes próprias em questões sociais.
A postura crítica da Ben & Jerry’s em relação à guerra em Gaza levou a marca a adotar um discurso incomum no setor corporativo, classificando as ações de Israel como “genocídio”. A divergência com a Unilever, que prefere uma linha mais neutra e menos confrontacional, abriu espaço para uma crise interna de governança.
O histórico ativista dos fundadores reforça esse contraste. Ben Cohen foi preso em maio deste ano em Washington, após interromper uma audiência no Senado americano em protesto contra o apoio dos Estados Unidos a Israel. Já Greenfield vinha manifestando insatisfação com a forma como a Unilever conduzia a marca em questões de direitos humanos.
As tensões chegaram a um ponto em que a Ben & Jerry’s buscou alternativas para se desvincular da controladora, incluindo uma tentativa de venda por valor de mercado entre US$ 1,5 bilhão e US$ 2,5 bilhões. A Unilever rejeitou a proposta, preferindo manter a marca sob seu portfólio, mesmo diante do desgaste.
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