Sustentabilidade & Futuro
Comitê Nacional impulsiona pesca esportiva sustentável no Brasil
Redação
20 de setembro de 2025

Com 8,5 mil quilômetros de litoral e 35 mil quilômetros de vias navegáveis internas, o Brasil possui um potencial extraordinário para a pesca esportiva sustentável, atividade que combina conservação ambiental com desenvolvimento econômico através do princípio do "pesque e solte". A criação do Comitê da Pesca Amadora e Esportiva, formalizada através do Ministério da Pesca e Aquicultura, representa um marco na organização deste setor que movimenta mais de R$ 1 bilhão por ano e gera aproximadamente 200 mil empregos diretos e indiretos em todo o território nacional.
O comitê, estabelecido no âmbito do Conselho Nacional de Aquicultura e Pesca (Conape), tem como competência central promover iniciativas para o desenvolvimento sustentável do setor, expandindo a prática com inclusão social e respeito aos povos e territórios tradicionais. Adriana Toledo, secretária-executiva do Conape, explica que "essa decisão surgiu da necessidade de organizar e fortalecer um setor com grande potencial, ainda pouco explorado no Brasil, mas que pode gerar empregos, renda e novas oportunidades econômicas".
Segundo a Confederação Brasileira de Pesca Esportiva (CBPE), aproximadamente sete milhões de brasileiros se declaram praticantes da pesca de competição e lazer, tornando-a um dos esportes mais populares do país. O segmento realiza mais de mil campeonatos regionalmente distribuídos anualmente, equivalente a mais de três eventos por dia acontecendo simultaneamente em diferentes regiões. Régis Portari, presidente do Comitê, destaca que "a função do Comitê é auxiliar o Ministério em ações do segmento, fazendo com que esse esporte seja mais consolidado, tenha mais pujança e condição de organização".
Os números demonstram o crescimento acelerado do setor: somente em 2024 foram emitidos mais de 330 mil novos registros de pescadores esportivos, e até agosto de 2025 já haviam sido concedidas mais de 263 mil licenças. Os estados de São Paulo (57,5 mil) e Minas Gerais (50,1 mil) lideram as estatísticas, com o mês de março registrando o maior número de autorizações (55.421), coincidindo com o final do período de piracema quando a pesca é restrita para proteção da reprodução dos peixes.
A pesca esportiva diferencia-se fundamentalmente da atividade comercial pelo seu caráter não extrativista, onde o peixe capturado é devolvido ao seu habitat natural. Esta prática exige técnicas específicas e equipamentos adequados que garantam a sobrevivência dos animais após a captura, como linhas de mão, caniços simples, varas com molinete ou carretilha, e uso de iscas naturais ou artificiais, enquanto proíbe terminantemente a comercialização do pescado e a utilização de espécies aquáticas ornamentais como iscas.
O impacto econômico vai além dos praticantes, beneficiando guias, instrutores, donos de pesque e pague, fabricantes e comerciantes de equipamentos, e profissionais do turismo ligado à pesca. As regiões Norte e Centro-Oeste, devido à Amazônia e ao Pantanal, concentram as águas mais procuradas pelos entusiastas. Apenas no Amazonas, o mercado movimenta quase R$ 200 milhões por temporada, configurando-se como uma das principais atrações turísticas locais.
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