Sustentabilidade & Futuro
Produtores de soja dos EUA enfrentam crise com queda das compras chinesas
Redação
12 de setembro de 2025

O governo Trump enfrenta pressão crescente de organizações agrícolas em meio a uma crise sem precedentes para o setor de soja americano. A aproximação da colheita de outono, que tradicionalmente marca o auge da atividade agrícola no país, trouxe consigo o temor de prejuízos significativos, já que a China reduziu drasticamente suas importações em meio ao prolongado conflito comercial.
Durante décadas, a China foi um dos destinos mais importantes para a soja produzida nos Estados Unidos, absorvendo cerca de um quarto da safra anual. A expansão da classe média chinesa impulsionou a demanda por carne suína e aves, setores cuja alimentação depende fortemente da farinha de soja. Produtores americanos responderam a esse crescimento com investimentos em tecnologia, maquinário e expansão de áreas cultiváveis, consolidando uma relação comercial que parecia estável.
Agora, esse modelo encontra-se ameaçado. A soja, produto que ocupa posição central entre as exportações agrícolas dos EUA, está no centro da disputa. Em 2024, as importações chinesas de soja americana atingiram quase 130 bilhões de dólares — um salto expressivo em relação aos cerca de 20 bilhões registrados duas décadas antes. O corte nas compras por parte de Pequim expôs a vulnerabilidade de um setor dependente de um único mercado externo.
As consequências já são sentidas em todo o cinturão agrícola. Caleb Ragland, presidente da Associação de Soja dos Estados Unidos, afirmou em uma feira agrícola em Illinois que nem o mercado doméstico nem outros parceiros internacionais possuem demanda suficiente para substituir a China. “Muitos agricultores não conseguirão superar esta crise”, declarou, refletindo a apreensão generalizada.
Dados setoriais estimam que produtores de soja devem perder aproximadamente 100 dólares por acre nesta safra, o que representa prejuízos de bilhões de dólares em escala nacional. As organizações do agronegócio pedem com urgência que o governo federal amplie programas de auxílio emergencial e negocie soluções comerciais que reabram o acesso ao mercado chinês.
A administração Trump anunciou como resposta um pacote de subsídios de 60 bilhões de dólares, distribuídos ao longo da próxima década por meio da legislação tributária. A medida, no entanto, gerou controvérsias. Críticos afirmam que os recursos tendem a se concentrar nos maiores produtores, deixando de lado pequenas propriedades familiares, que são mais vulneráveis às oscilações de mercado.
Com a perspectiva de perda duradoura do mercado chinês, agricultores vêm cortando custos, adiando a compra de maquinário e reduzindo o uso de fertilizantes. Paralelamente, entidades setoriais pressionam o Congresso para abrir novos mercados exportadores e aumentar o uso doméstico da soja, seja por meio da mistura de óleo ao diesel, seja em projetos inovadores, como o uso de asfalto à base de soja para pavimentação de estradas.
Em estados como Iowa, Illinois e Indiana, produtores relatam incerteza e desânimo. Andy Hill, agricultor do norte de Iowa que cultiva quase mil acres de milho e soja, resumiu a situação: “A menos que aconteça um milagre, não posso contar com a China para comprar nossa soja”.
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