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Cultura & Sociedade

Erik Menendez tem liberdade negada após 35 anos de prisão

Redação

22 de agosto de 2025

Em uma audiência virtual que se estendeu por mais de dez horas, Erik Menendez, hoje com 54 anos, ouviu a decisão que manterá sua vida restrita às grades: a liberdade condicional segue como uma promessa distante. Três décadas e meia depois da noite em que ele e o irmão Lyle dispararam contra os próprios pais na mansão de Beverly Hills, o sistema prisional da Califórnia considerou que Erik ainda representa “um risco irracional para a segurança pública”.


A negativa expõe as múltiplas camadas de um caso que continua a dividir a opinião pública americana. Para o comissário Robert Barton, não foi a brutalidade do duplo homicídio o fator central, mas sim a conduta de Erik ao longo dos anos na prisão. Barton destacou episódios de indisciplina, como contrabando de drogas, uso de celulares e registros de violência em 1997 e 2011. “Contrariamente ao que acreditam seus apoiadores, você não foi um prisioneiro modelo — e achamos isso perturbador”, afirmou.


A defesa insiste, há mais de três décadas, em um argumento de motivação: os irmãos teriam matado os pais após anos de abuso sexual, físico e psicológico, sobretudo por parte de José Menendez, um imigrante cubano que construiu uma fortuna multimilionária em Hollywood. “Meu pai era o ser humano mais aterrorizante que eu já conheci”, disse Erik, em lágrimas, durante a audiência. Para os promotores, no entanto, a versão nunca passou de uma estratégia de manipulação — os assassinatos seriam fruto de um plano frio para herdar a fortuna.


A sessão foi marcada por um momento de forte carga emocional quando Teresita Menendez-Baralt, tia dos irmãos, declarou ter “perdoado completamente” Erik. Chorando, ela revelou estar em estágio terminal de câncer e disse sonhar em recebê-lo em sua casa antes da própria morte. O apelo, no entanto, não foi suficiente para sensibilizar a comissão.

O caso, que já foi chamado de “crime da década”, voltou ao centro das atenções recentemente graças à Netflix.


A série documental Monsters: The Lyle and Erik Menendez Story, derivada do sucesso sobre Jeffrey Dahmer, apresentou a história para uma nova geração. O impacto foi imediato: hashtags como #MenendezBrothers explodiram no TikTok, onde milhões de jovens passaram a discutir o peso dos abusos sofridos, questionando se a condenação perpétua seria justa. O fenômeno cultural reabriu um debate que parecia enterrado, transformando os irmãos em símbolos paradoxais de vítimas e algozes.


Além disso, mudanças recentes na legislação californiana — que permitem revisão de sentenças para crimes cometidos por menores de 26 anos — reacenderam esperanças. Erik e Lyle já cumpriram mais da metade de suas penas e, em tese, poderiam ser beneficiados. Mas o tribunal foi claro: não basta o tempo de prisão, é necessário histórico impecável, algo que pesou contra eles.


Enquanto Erik terá de esperar três anos para um novo pedido, Lyle, hoje com 57, será ouvido nesta sexta-feira. Cumprindo pena em San Diego, os dois continuam a personificar um dilema social: até onde uma sociedade pode perdoar quem cometeu o imperdoável? O caso Menendez, agora recontado no streaming e redes sociais, mostra que a resposta é tão disputada quanto no julgamento original.


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