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EUA anunciam retirada de 66 organizações da ONU e fóruns internacionais
Redação
8 de janeiro de 2026

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que planeja retirar o país de 66 organizações das Nações Unidas e fóruns internacionais, incluindo principais fóruns de cooperação sobre mudança climática, paz e democracia.
Em um memorando presidencial divulgado pela Casa Branca, Trump afirmou que a decisão veio após uma revisão sobre quais "organizações, convenções e tratados são contrários aos interesses dos Estados Unidos". As mudanças fariam os EUA cessarem a participação e também cortarem todo o financiamento às entidades afetadas.
A lista inclui 35 organizações não-ONU, destacando-se o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), o Instituto Internacional para Democracia e Assistência Eleitoral e a União Internacional para Conservação da Natureza. Embora a Casa Branca tenha incluído o IPCC na lista de corpos não-ONU, trata-se de uma organização da ONU que reúne cientistas de ponta para avaliar evidências relacionadas às mudanças climáticas.
Além disso, a Casa Branca informou que está se retirando de 31 entidades da ONU, incluindo o principal órgão de tratado sobre mudança climática da ONU, a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), o Fundo para Democracia da ONU e a principal entidade da ONU que trabalha com saúde materna e infantil, o UNFPA.
Várias das entidades da ONU visadas também se concentram em proteger grupos vulneráveis da violência durante guerras, incluindo o Escritório do Representante Especial do Secretário-Geral para Crianças em Conflitos Armados.
O porta-voz da ONU, Stephane Dujarric, disse em uma nota a correspondentes que a ONU esperava responder ao anúncio até a manhã seguinte.
Apesar de afirmar publicamente que quer que os EUA tenham menos envolvimento em fóruns da ONU, Trump não hesitou em influenciar a tomada de decisões no nível internacional. Em outubro do ano passado, Trump ameaçou impor sanções a diplomatas que formalmente adotassem uma taxa sobre combustíveis marítimos poluentes que já havia sido acordada em uma reunião anterior, afundando efetivamente o acordo por 12 meses.
A administração Trump também impôs sanções à relatora especial da ONU Francesca Albanese, depois que ela publicou um relatório documentando o papel de empresas internacionais e norte-americanas na guerra genocida de Israel contra Gaza.
Em 2017, Trump também ameaçou cortar ajuda de países que votaram a favor de um projeto de resolução da ONU condenando a decisão dos EUA de reconhecer Jerusalém como capital de Israel.
Como membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, os EUA também detêm poder considerável nas Nações Unidas, como um dos apenas cinco países capazes de vetar medidas de que não gosta, um poder que os EUA usaram repetidamente para bloquear esforços para acabar com a guerra de Israel em Gaza antes de mediar um cessar-fogo no final do ano passado.
Desde o início de seu segundo mandato em janeiro do ano passado, Trump já retirou os EUA da Organização Mundial da Saúde (OMS), do acordo climático de Paris e do conselho de direitos humanos da ONU. Trump também deixou essas três organizações durante sua primeira administração, mas as retiradas foram todas posteriormente revertidas pela administração do ex-presidente dos EUA, Joe Biden.
A retirada dos EUA da OMS deve entrar em vigor em 22 de janeiro de 2026, um ano após ter sido ordenada pela Casa Branca. Entre 2024 e 2025, os EUA contribuíram com US$ 261 milhões em financiamento para a OMS, representando cerca de 18% do financiamento que a organização recebe para seu trabalho incentivando a cooperação global em uma ampla gama de questões de saúde urgentes, incluindo tuberculose e pandemias, como a COVID-19.
A administração Trump também continuou uma proibição de financiamento dos EUA à agência da ONU para refugiados palestinos, UNRWA, que começou sob Biden.




