Política & Mundo
EUA e China em nova rodada de tensão comercial por terras raras
Redação
24 de outubro de 2025

Altos funcionários econômicos dos Estados Unidos e da China chegam nesta sexta-feira (24) a Kuala Lumpur, na Malásia, para uma nova rodada de negociações destinada a evitar uma escalada da guerra comercial e garantir a realização do encontro entre o presidente norte-americano Donald Trump e o presidente chinês Xi Jinping, previsto para a próxima semana na Coreia do Sul, durante a Cúpula de Cooperação Econômica da Ásia-Pacífico (APEC).
A delegação norte-americana é composta pelo secretário do Tesouro, Scott Bessent, e pelo representante de Comércio, Jamieson Greer, enquanto a China será representada pelo vice-premiê He Lifeng, principal responsável pelas relações econômicas externas de Pequim. O objetivo é restabelecer um canal de diálogo após semanas de tensão, marcadas por novas tarifas, sanções e restrições a exportações estratégicas.
As conversas, que ocorrerão paralelamente à Cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), serão o quinto encontro bilateral desde maio, evidenciando a complexidade do impasse. O foco das negociações volta-se ao controle chinês sobre minerais e ímãs de terras raras, essenciais à indústria global de alta tecnologia e à produção de veículos elétricos, semicondutores e sistemas de defesa — setores nos quais os Estados Unidos dependem amplamente da cadeia de suprimentos asiática.
O Departamento de Comércio norte-americano afirmou em nota que “os Estados Unidos buscam uma relação comercial justa e previsível, baseada em princípios de transparência e reciprocidade”. O Tesouro destacou que “as restrições unilaterais da China sobre exportações críticas não apenas afetam as cadeias produtivas, mas ameaçam a segurança econômica global”.
Em resposta, o Ministério do Comércio da China declarou que Pequim “apoia o comércio aberto e sustentável, mas se reserva o direito de proteger seus recursos estratégicos e de garantir que o uso de tecnologias sensíveis ocorra de forma pacífica”. A pasta acrescentou que a política de licenciamento para produtos de terras raras visa “impedir a militarização indevida de recursos chineses”.
A escalada recente começou em abril, quando Washington impôs novas tarifas sobre importações chinesas, atingindo setores de energia e tecnologia. Pequim reagiu restringindo o fornecimento de terras raras a empresas americanas, o que comprometeu a produção de equipamentos de ponta nos EUA. Uma trégua de 90 dias firmada em maio, durante negociações em Genebra, havia reduzido parcialmente as tarifas e restabelecido o comércio de ímãs industriais, mas as medidas de retaliação voltaram a se intensificar neste mês.
O impasse se agravou quando os Estados Unidos ampliaram sua lista negra de exportações, proibindo vendas a empresas com mais de 50% de capital chinês vinculado a entidades já sancionadas. Pequim reagiu com novos controles de exportação globais sobre metais estratégicos, exigindo licenças especiais para qualquer produto que utilize tecnologia de refino ou processamento desenvolvida na China.
Autoridades da Casa Branca classificaram as ações chinesas como “uma tentativa de reescrever as regras da cadeia de suprimentos global”. Já o Ministério do Comércio chinês afirmou que as novas medidas são “compatíveis com as normas internacionais de segurança nacional e sustentabilidade”.
As negociações em Kuala Lumpur devem concentrar-se em mecanismos de estabilização temporária para impedir que as tarifas americanas atinjam 100% sobre produtos chineses a partir de 1º de novembro, conforme ameaçou Trump em discurso recente. Um acordo provisório sobre minerais estratégicos também está em discussão, visando garantir o fornecimento contínuo para indústrias americanas e reduzir a volatilidade nos mercados.
O governo norte-americano também deve pressionar Pequim a retomar as compras de soja e grãos de produtores americanos, suspensas em setembro. Segundo o Departamento de Agricultura dos EUA, a paralisação das exportações agrícolas representa “um impacto severo sobre comunidades rurais e pequenas propriedades agrícolas que dependem do comércio bilateral”.
Apesar do tom conciliatório, fontes diplomáticas indicam que a reunião não deverá abordar as divergências estruturais entre as duas potências — como o modelo econômico chinês baseado em exportações e o papel do Estado em setores estratégicos. A prioridade, segundo nota conjunta das chancelarias, é “preservar o diálogo e evitar medidas unilaterais que possam agravar a instabilidade econômica global”.
O desfecho das negociações em Kuala Lumpur será determinante para o encontro entre Trump e Xi na próxima semana. Caso as tratativas fracassem, diplomatas americanos admitem que a reunião de cúpula pode ser adiada ou cancelada, aprofundando a incerteza em torno da maior relação comercial do planeta.
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