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Política & Mundo

EUA ampliam presença militar no Caribe e expõem limites da capacidade bélica da Venezuela

Gustavo Freitas

26 de novembro de 2025

A mobilização militar dos Estados Unidos no mar do Caribe redesenhou o ambiente estratégico em torno da Venezuela e impôs um novo patamar de pressão sobre Caracas. O que se observa agora é a presença de um grupo aeronaval completo, liderado pelo USS Gerald R. Ford, que chegou à região acompanhado de destróieres, cruzadores, um submarino de ataque e aeronaves de longo alcance posicionadas em bases como a de Porto Rico.


A movimentação ampliou significativamente o alcance operacional americano e consolidou um cenário em que Washington pode projetar força sobre o norte da América do Sul sem depender de aliados continentais.


Ao mesmo tempo, a Venezuela insiste em apresentar sua Força Armada Nacional Bolivariana como uma estrutura preparada para responder a ameaças externas. As estimativas internacionais apontam cerca de 123 mil militares distribuídos entre Exército, Marinha, Força Aérea, Guarda Nacional e Milícia Bolivariana, arranjo construído ao longo de duas décadas de investimentos em equipamento russo. Caças Sukhoi Su 30MK2, tanques T 72, blindados BTR, sistemas de artilharia e baterias de mísseis como S 300, Buk e Pechora moldaram essa imagem, constantemente destacada pelo governo como sinal de peso militar.


Dentro das forças venezuelanas, o Exército permanece como a maior componente, com mais de 60 mil integrantes e brigadas blindadas e mecanizadas responsáveis pela defesa terrestre. A Marinha atua prioritariamente na proteção do litoral e conta com uma fragata, navios-patrulha e submarinos convencionais. A Força Aérea utiliza os Su 30 como principal vetor ofensivo, embora a crise econômica e a dificuldade na reposição de peças reduzam a disponibilidade real dessa frota.


O inventário é relevante para os padrões da região, mas enfrenta limitações crescentes de manutenção, infraestrutura e treinamento.


O USS Gerald R. Ford, maior porta-aviões do mundo, mede 333 metros, desloca cerca de 100 mil toneladas e opera mais de 75 aeronaves, podendo alcançar números maiores em cenários de alta intensidade. Seus reatores nucleares A1B garantem autonomia de duas décadas antes da necessidade de um reabastecimento de meia-vida, o que permite longos períodos de operação ininterrupta no mar. As catapultas eletromagnéticas e o sistema de controle de voo viabilizam mais de 160 surtidas diárias em ritmo de combate.


O poder desse navio se amplia quando integrado a destróieres equipados com mísseis Tomahawk, cruzadores de defesa aérea, bombardeiros estratégicos B 52 e caças F 35 em bases de países do Caribe. O conjunto opera com vigilância contínua, guerra eletrônica e alto volume de munições guiadas, criando uma força capaz de lançar ataques simultâneos por ar e mar a partir de posições seguras, fora do alcance da maior parte dos sistemas venezuelanos.


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Enquanto isso, a aviação venezuelana mantém cerca de 229 aeronaves no inventário, embora apenas parte esteja em condições regulares de voo. Os Su 30 continuam a ser o ponto mais forte da defesa aérea do país, mas dependem de manutenção especializada e peças vindas da Rússia. A frota de F 16 envelheceu sem modernização completa e já não tem capacidade plena para missões de superioridade aérea contemporâneas.


Essa combinação reduz a cadência de surtidas que a Venezuela poderia manter em um conflito prolongado.


Quando o panorama é ampliado para toda a América Latina, o país aparece atrás de forças que contam com economias mais estáveis e orçamentos maiores, como Brasil, México, Colômbia, Chile, Peru e Argentina.


Ainda que a Venezuela mantenha um dos arsenais mais robustos da região, nenhum país latino-americano possui algo comparável a um porta-aviões nuclear norte-americano, tampouco bombardeiros estratégicos ou submarinos nucleares. Mesmo as maiores forças do continente não dispõem de capacidade de projeção semelhante.


Embora Caracas busque demonstrar força, a diferença de escala, tecnologia e logística entre as duas forças permanece distante. O grupo aeronaval liderado pelo USS Gerald R. Ford funciona como uma demonstração prática da disparidade e como um indicativo de que a Venezuela, mesmo mantendo um inventário considerável para os padrões regionais, não possui condições de confrontar diretamente o aparato militar dos Estados Unidos.


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