Negócios & Transformação
Brasil registra alta recorde nas exportações de carne suína em 2025
Redação
22 de setembro de 2025

O volume de carne suína exportada pelo Brasil registrou crescimento expressivo de 72% entre janeiro e agosto de 2025, segundo dados do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) da USP. O avanço reforça a posição brasileira no mercado global e revela mudanças relevantes no perfil dos principais compradores, com o Chile assumindo o posto de segundo maior destino, superando a China.
De acordo com a ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal), as exportações somaram 970,3 mil toneladas nos oito primeiros meses do ano, alta de 11,5% em relação ao mesmo período de 2024. As Filipinas seguem na liderança do ranking de importadores desde fevereiro, enquanto o Chile ampliou rapidamente sua participação e a China caiu para a terceira posição.
O movimento chileno é explicado por fatores sanitários e diplomáticos. Em abril, o país reconheceu o Paraná como livre de febre aftosa sem vacinação e de peste suína clássica, o que abriu caminho para o comércio bilateral. As exportações só começaram em julho, mas já mostraram força: foram 7,7 mil toneladas em janeiro, 14,5 mil em julho e 13,3 mil em agosto.
O dinamismo do setor brasileiro se fortalece ainda pelo fato de as exportações não dependerem dos Estados Unidos, que não figuram entre os dez principais destinos da carne suína do Brasil. Isso tornou o setor menos vulnerável ao tarifaço de 50% imposto por Washington sobre produtos brasileiros. A Amcham (Câmara Americana de Comércio) confirma que a proteína suína não aparece na lista dos principais itens exportados para o mercado norte-americano.
No mercado doméstico, o consumo segue elevado, o que pressiona os preços para cima em período do ano em que normalmente haveria retração. Em agosto, os valores médios do suíno vivo variaram entre R$ 8,15 no Rio Grande do Sul e R$ 8,76 em São Paulo, todos superiores aos de julho. Essa valorização tem refletido tanto a demanda interna quanto a competitividade internacional.
A produção brasileira também atingiu marcas inéditas. A Conab projeta safra de 5,8 milhões de toneladas em 2025, volume recorde para o país. Já a ABPA estima produção ligeiramente menor, de 5,4 milhões de toneladas, mas ainda suficiente para consolidar o Brasil como o quarto maior produtor mundial.
Analistas avaliam que o desempenho reflete um conjunto de fatores: sanidade reconhecida, diversificação de mercados, competitividade de custos e adaptação rápida às exigências internacionais. Para os exportadores, o desafio agora é manter a expansão com margens sustentáveis, em meio à concorrência de grandes players globais.
A tendência é que a indústria brasileira de proteína animal continue ampliando presença em mercados emergentes, como o Sudeste Asiático e a América Latina, aproveitando o enfraquecimento da China como principal compradora. O setor aposta em acordos sanitários e na busca de novos nichos para manter o ritmo de crescimento no médio prazo.
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