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Sustentabilidade & Futuro

Fundo de US$ 125 bilhões destina 20% diretamente para indígenas na preservação florestal

Redação

24 de agosto de 2025

As florestas tropicais cobrem apenas 7% da superfície terrestre, mas abrigam mais da metade da biodiversidade mundial e são responsáveis pela regulação do regime de chuvas em escala global, além de capturar volumes massivos de carbono da atmosfera. Esta realidade crucial motivou a criação do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), um mecanismo de financiamento no valor previsto de US$ 125 bilhões (cerca de R$ 680 bilhões) destinado especificamente à preservação desses biomas essenciais, presentes em aproximadamente 70 países ao redor do planeta.


Idealizado pelo Brasil em articulação com Colômbia, Noruega, Reino Unido, França e Emirados Árabes Unidos, o fundo recebeu apoio formal dos países membros da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA) durante a 5º Cúpula realizada em Bogotá. O comunicado conjunto destaca que o TFFF será complementar às iniciativas existentes e permitirá avanços significativos no cumprimento dos compromissos assumidos na Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, no Acordo de Paris e no Marco Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal.


Entre as inovações mais relevantes do fundo está o repasse direto de 20% do total de recursos para comunidades de povos indígenas e tradicionais que vivem e preservam esses biomas, reconhecendo formalmente seu papel fundamental na conservação. Cada hectare preservado será remunerado no valor de US$ 4, criando um mecanismo financeiro concreto de valorização da preservação ambiental. "O desenho do TFFF incorpora, como princípio fundamental, o reconhecimento e a valorização do papel desempenhado pelos Povos Indígenas e Comunidades Locais na conservação das florestas tropicais", afirma o comunicado da OTCA.


O lançamento oficial do fundo está programado para novembro, durante a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que será realizada em Belém, no coração da Amazônia brasileira. Esta localização simbólica reforça o compromisso global com a preservação dos maiores biomas florestais do planeta e o reconhecimento de que soluções financeiras inovadoras são necessárias para combater efetivamente as mudanças climáticas e a perda de biodiversidade.


O mecanismo também recebe apoio de nações com extensas florestas tropicais, incluindo Gana, República Democrática do Congo, Malásia e Indonésia, demonstrando uma adesão transcontinental à iniciativa. Esta ampla coalizão internacional indica um alinhamento estratégico sem precedentes na valorização econômica dos serviços ecossistêmicos prestados pelas florestas tropicais, que vão desde a regulação climática até a manutenção dos ciclos hídricos essenciais para a agricultura e abastecimento humano.


"O TFFF é complementar, e não excludente, a outras iniciativas existentes e permite avançar no cumprimento dos compromissos assumidos na Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima e no Acordo de Paris, adotado em seu âmbito, na Convenção sobre Diversidade Biológica e seu Marco Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal, na Agenda 2030, bem como em outros instrumentos multilaterais pertinentes", destaca o documento aprovado pelos países amazônicos.

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