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Cultura & Sociedade

Geração Seca: no Japão, quase metade dos jovens rejeita o álcool

Redação

12 de setembro de 2025

Nos telhados de Tóquio, onde outrora se reuniam executivos para cervejas após o expediente, um silêncio incomum começa a se instalar. A cena tradicional dos jardins de cerveja, símbolo da cultura corporativa japonesa, enfrenta uma realidade nova e surpreendente: quase metade da geração mais jovem simplesmente não bebe.


Dados de uma pesquisa recente da consultoria Mery Co revelam que 44% dos japoneses em seus vinte anos nunca consomem álcool, enquanto outros 16% bebem menos de uma vez por mês. Esta mudança geracional está abalando não apenas a indústria de bebidas, mas também desafiando normas sociais profundamente enraizadas na sociedade japonesa, onde o consumo de álcool sempre foi parte integrante da socialização empresarial e pessoal.


Os analistas observam que esta transformação reflete mudanças mais profundas na sociedade japonesa, impulsionadas por hábitos adquiridos durante a pandemia, custos crescentes e atitudes em evolução sobre trabalho e bem-estar. As gerações mais jovens estão redefinindo radicalmente como socializam e gastam seu tempo e recursos, priorizando saúde e finanças pessoais sobre tradições estabelecidas.


A gravidade desta tendência ficou evidente com a publicação simultânea de dados mensais dos principais fabricantes de cerveja do país, mostrando que o consumo de cerveja caiu 9% em agosto na comparação anual – o quinto mês consecutivo de declínio. Esta queda desafia a crença de longa data de que as vendas de cerveja aumentam durante os meses quentes de verão, quando os consumidores tradicionalmente buscavam alívio do calor.


Especialistas do setor atribuem parte desta queda às temperaturas extremas deste ano, que provavelmente mantiveram as pessoas longe dos estabelecimentos durante as noites, enquanto o consumo doméstico também diminuiu diante das preocupações com inflação e renda disponível encolhida. No entanto, observadores sugerem que a recessão é mais do que sazonal, indicando que a indústria enfrenta um realinhamento geracional de longo prazo.

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