Política & Mundo
Hegseth afirma que EUA podem projetar vontade 'em qualquer lugar, a qualquer momento' após ataque à Venezuela
Redação
5 de janeiro de 2026

O secretário de Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou que os EUA "podem projetar a sua vontade em qualquer lugar, a qualquer momento". A declaração ocorreu durante uma coletiva em que o governo norte-americano expôs o resultado da operação militar que capturou o ex-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em Caracas.
Hegseth apresentou a operação como uma demonstração de força e precisão militar. Segundo ele, Trump "leva extremamente a sério a tarefa de barrar o fluxo de drogas e de veneno para o nosso povo, de recuperar o petróleo que nos foi roubado e de restabelecer a dissuasão e a dominância norte-americanas no hemisfério ocidental". Hegseth descreveu a ação como a "paz que vem por meio da força".
A operação militar norte-americana contra a Venezuela ocorreu na madrugada de sábado (3.jan.2026), ordenada pelo presidente Donald Trump. A ação envolveu 150 caças e bombardeios que atacaram quatro alvos no país, neutralizando sistemas de defesa aérea venezuelanos. Helicópteros militares transportaram tropas para Caracas, onde capturaram Maduro e sua esposa, Cilia Flores, em uma missão que durou cerca de duas horas e vinte minutos.
Há questionamentos jurídicos e políticos sobre a legalidade da operação. Os EUA realizaram a ação militar sem aprovação prévia do Conselho de Segurança da ONU, com Trump argumentando que essa aprovação seria desnecessária. Marco Rubio, secretário de Estado, admitiu que não foi possível comunicar o Congresso dos EUA com antecedência, descumprindo leis norte-americanas que exigem autorização legislativa para operações militares.
As consequências humanitárias da operação permanecem incertas. Autoridades venezuelanas afirmaram que civis morreram durante os ataques, mas não divulgaram números oficiais. Um oficial norte-americano disse que não houve baixas entre militares dos EUA, mas não comentou sobre eventuais mortes venezuelanas.
Trump anunciou que os Estados Unidos assumiriam temporariamente a administração da Venezuela até que uma transição política fosse definida, concentrando-se na exploração e venda do petróleo venezuelano. Essa declaração confronta diretamente a Constituição venezuelana, que estabelece que o poder deveria ser exercido pela vice-presidente, Delcy Rodríguez.
Rodríguez contestou publicamente as declarações de Trump, classificando a ação dos EUA como violação da soberania venezuelana e afirmando que Maduro continua sendo o presidente legítimo do país. "Esse é o único tipo de relação possível. Não seremos colônia de nenhum outro país", declarou a vice-presidente.
A reação internacional à operação dividiu líderes globais. Enquanto alguns governos condenaram a ação como agressão, outros manifestaram apoio tácito ou reservado. A situação na fronteira entre Venezuela e Brasil foi descrita como tranquila pelo ministro da Defesa brasileiro, mas a Venezuela fechou sua fronteira com o Brasil após o ataque.
Hegseth encerrou seu pronunciamento com uma mensagem de poder: "Bem-vindos a 2026. Sob a presidência de Trump, a América está de volta".
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