Cultura & Sociedade
Justiça rejeita tese de insanidade mental em caso de assassinato brutal em BH
Redação
21 de agosto de 2025

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais negou o pedido da defesa de Thiago Schafer Sampaio, acusado de assassinar Clara Maria Venâncio Rodrigues, 21 anos, em Belo Horizonte, para a realização de um exame de insanidade mental. A decisão reacende o debate sobre como o sistema judiciário brasileiro avalia alegações de transtornos psiquiátricos em casos de crimes violentos.
A defesa sustentava que Thiago fazia tratamento psiquiátrico antes do crime, utilizava medicamentos controlados e apresentava histórico de depressão, ansiedade aguda, esquizofrenia e dependência química. Para os advogados, seria necessária uma avaliação médica especializada para determinar o estado mental do réu no momento dos fatos.
O Ministério Público de Minas Gerais, no entanto, rejeitou a tese de insanidade. Segundo a promotoria, "não há dúvidas sobre a higidez mental do réu à época dos fatos". A juíza Ana Carolina Rauen Lopes de Souza endossou a posição, destacando a ausência de documentos médicos atualizados que comprovassem comprometimento da saúde mental do acusado.
O caso chocou a capital mineira em março deste ano, quando Clara Maria foi morta após cobrar uma dívida de R$ 400 de Thiago, com quem havia trabalhado em uma padaria. O corpo da jovem foi enterrado sob uma camada de concreto em uma casa no bairro Ouro Preto, na região da Pampulha, em uma cena que revoltou familiares e moradores.
Thiago confessou ter matado a jovem com um golpe de mata-leão, com o apoio de Lucas Rodrigues Pimentel. Este último também admitiu participação no crime, ajudando a ocultar o corpo. Ambos estão presos desde março e aguardam julgamento.
Na decisão desta semana, o Tribunal de Justiça determinou que o processo siga seu curso normal, fixando prazo de dois dias para a apresentação das alegações finais, começando pelo Ministério Público. A magistrada reforçou que não havia elementos probatórios suficientes para abrir incidente de insanidade mental nesta etapa processual.
Embora a defesa tenha apresentado relatos de psiquiatra e psicóloga, que mencionaram episódios de comportamento suicida e até recomendação de internação, o MP argumentou que, desde o início da investigação, Thiago demonstrou lucidez, clareza de pensamento e discurso coerente, afastando a possibilidade de incapacidade mental.
Sem a aceitação do pedido, a acusação deve manter a tese de homicídio qualificado, enquanto a defesa buscará alternativas nas alegações finais para reduzir a pena ou caracterizar o crime sob outra tipificação.
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