Política & Mundo

Aleffe Gama
Estrategista e consultor de marketing político, com experiência em coordenação de dezenas de campanhas eleitorais pelo Pará
O Círio de Nossa Senhora de Nazaré está virando uma funfest
13 de outubro de 2025

O Círio de Nazaré, que há séculos é o auge da fé do povo paraense, está perdendo sua essência. Aos poucos, o sagrado está sendo substituído pelo espetáculo. O que antes era silêncio, oração e gratidão, hoje é palco, camarote e marketing. E quem escreve esta coluna é um profissional de marketing.
A Arquidiocese e a Diretoria da Procissão parecem ter se acomodado diante da transformação do Círio em um grande produto. Permitiu-se que artistas, patrocinadores e empresas assumissem o protagonismo do que deveria ser um momento de evangelização. O resultado é um Círio cada vez mais midiático, mas cada vez menos devocional.
O discurso da fé foi engolido pelo discurso da visibilidade. A imagem de Nossa Senhora virou cenário para campanhas publicitárias. As orações foram substituídas por playlists, e a liturgia se dilui em meio a festas que nada têm de marianas. O Círio, que deveria aproximar as pessoas de Deus, virou vitrine para quem quer aparecer e transformá-lo em somente uma expressão cultural ao bel-prazer de qualquer um.
É inaceitável que o evento religioso mais importante do Brasil se torne um desfile de vaidades. O Círio não é um festival, é uma procissão. Não é um show, é um ato de fé. E a Igreja, que deveria proteger a sacralidade da festa, parece mais preocupada em agradar o público do que em resgatar a devoção.
A evangelização precisa voltar a ser o centro de tudo. Sem isso, o Círio continuará perdendo seu sentido. A multidão continuará enchendo as ruas, mas a fé esvaziará os corações.
Belém não pode assistir calada à transformação de sua maior expressão de fé em uma “funfest”. O Círio pertence ao povo católico e à Virgem de Nazaré, não às marcas, nem aos artistas, nem aos interesses de quem quer transformar a fé católica em puro entretenimento.
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