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Cultura & Sociedade

Negócio milionário sob suspeita: diamante de R$ 50 milhões é apreendido pela PF

Redação

15 de setembro de 2025

Em vídeos que circulam nas redes sociais, o empresário mineiro Wado Borges aparece com um sorriso de satisfação, segurando nas mãos uma pedra preciosa de dimensões extraordinárias. As imagens mostram o negociante a bordo de seu avião particular sobrevoando Coromandel, no Alto Paranaíba, em meio a uma operação que despertou a atenção das autoridades federais e expôs as entranhas do mercado de diamantes no Brasil.


A gema em questão é o segundo maior diamante já encontrado no país, com impressionantes 646,78 quilates, avaliada entre R$ 16 e R$ 18 milhões, mas que especialistas afirmam poder valer até R$ 50 milhões no mercado internacional. A pedra foi apreendida pela Polícia Federal e Agência Nacional de Mineração no último dia 27 de agosto, momentos antes de receber o lacre do Certificado do Processo Kimberley, documento essencial para sua exportação.


A investigação se concentra na suspeita de que o diamante possa ter sido furtado e desviado de sua origem legal no Rio Araguari, em Araguari, no Triângulo Mineiro, pertencente à Carbono Mineração. A empresa Diadel Mineração Ltda. afirma que a extração ocorreu em seu garimpo no Rio Douradinho, em Coromandel, mas as autoridades federais buscam determinar a verdadeira procedência da gema.


Wado Borges, um conhecido negociante com reputação consolidada no exterior, surge como figura central neste enredo. Sua aparição repentina com o diamante, sem que houvesse um processo de leilão ou consulta a outros compradores brasileiros, levantou suspeitas no mercado. Negociadores do ramo afirmaram não terem sido consultados sobre a compra, prática considerada incomum para uma gema de tamanha relevância.


O valor especulado para a venda chamou a atenção por ser considerado muito abaixo do potencial de mercado, enquanto a divulgação tímida e amadora dada a uma descoberta de tal envergadura produziu estranheza entre especialistas. Esses fatores sugerem uma tentativa de concluir o negócio rapidamente, possivelmente antes que questionamentos sobre a procedência da pedra pudessem surgir.


Carlos César Manhas, sócio-administrador da Diadel Mineração desde 2024, é uma figura conhecida no meio dos diamantes em Coromandel e estaria ligado a grupos de israelenses que atuam no mercado internacional de pedras preciosas. Em 2002, Manhas foi preso pela PF em Rondônia por posse de 44 diamantes e uma ametista supostamente provenientes da Reserva Indígena Roosevelt, dos Cinta-Larga, onde a atividade garimpeira é proibida.


Entre integrantes do mercado de diamantes de Coromandel circulam informações de que uma parte do pagamento prometido pelo diamante não teria sido concluída, gerando ameaças e insatisfações que se agravaram com a apreensão da pedra. Em um vídeo que despertou mais suspeitas, Wado Borges aparece em uma pista de pouso com seu avião monomotor bloqueado por três caminhonetes, enquanto um homem faz diversas acusações ao empresário.


A investigação da PF e da ANM se debruça sobre o rastreamento de todas as pessoas que tiveram contato com o diamante, desde os garimpeiros que supostamente encontraram a pedra até possíveis compradores e intermediários, buscando identificar seus vínculos de trabalho, valores recebidos e comprovar a localização nos dias da suposta extração.


As autoridades mantêm sigilo sobre os detalhes da investigação, alegando razões de segurança e proteção dos envolvidos, enquanto o Ministério Público Federal poderá intervir para defender os interesses da União, especialmente diante da suspeita de não recolhimento de impostos sobre uma venda supostamente abaixo do valor de mercado. Fontes do mercado informaram que representantes de um comprador belga de Antuérpia estariam no Brasil negociando com Wado Borges nos dias em que o diamante receberia o lacre para exportação.

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