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Cultura & Sociedade

O 'Olhar Gen Z': A guerra geracional que tomou as redes sociais

Redação

21 de agosto de 2025


O que começou como uma brincadeira de millennials no TikTok zombando de seus colegas mais jovens da Geração Z transformou-se em um debate intenso sobre o chamado "olhar Gen Z". O termo se refere à expressão vazia e neutra que alguns jovens apresentam após receberem perguntas em diversas situações sociais, incluindo interações de atendimento ao cliente, salas de aula, ambientes de trabalho e outros contextos cotidianos.


Essas reações faciais aparentemente desconectadas em situações que tradicionalmente demandam respostas emocionais mais explícitas tornaram-se ponto de discussão viral nas redes sociais. Para muitos, o semblante neutro transmite desinteresse ou falta de empatia; para outros, trata-se apenas de uma nova forma de lidar com estímulos sociais em um mundo hiperconectado.


A expressão expressionless — ou “sem expressão” — desafia expectativas convencionais de engajamento interpessoal e levanta questões sobre as mudanças na comunicação não-verbal entre gerações. Especialistas em linguagem corporal destacam que expressões faciais são interpretadas culturalmente, e a ausência de sinais claros pode gerar ruídos de entendimento entre pessoas de diferentes idades.


O debate, inicialmente localizado em comunidades do TikTok, extrapolou as fronteiras do aplicativo e chegou a outras plataformas digitais. Usuários de diferentes faixas etárias passaram a compartilhar exemplos, memes e vídeos analisando o comportamento, enquanto alguns defendem que o “olhar Gen Z” reflete apenas um estado de neutralidade, e não necessariamente alienação.


Na China, discussões semelhantes ganharam força em aplicativos de mídia social, revelando que o fenômeno não se restringe ao Ocidente. O fato de a conversa ter se espalhado em ambientes digitais tão distintos sugere que o “olhar” pode ser uma característica comunicacional mais ampla, associada a uma juventude globalizada que cresce sob pressões sociais e digitais semelhantes.


Pesquisadores de psicologia social apontam ainda que o olhar neutro pode estar relacionado ao excesso de exposição a estímulos visuais e emocionais nas redes, o que teria provocado uma espécie de “economia de expressões” nos mais jovens. Assim, a neutralidade facial funcionaria como uma forma de proteção diante da sobrecarga de informações.


Por outro lado, críticos do fenômeno enxergam no comportamento um reflexo de distanciamento emocional e até de fragilidade nas habilidades sociais da Geração Z. Para eles, a ausência de expressões claras dificulta relações interpessoais em ambientes profissionais e educacionais, podendo gerar conflitos e mal-entendidos.


Entre interpretações psicológicas, análises sociológicas e a viralização em memes, o fato é que o “olhar Gen Z” se consolidou como mais um marcador cultural das novas gerações. Seja visto como indiferença ou como um modo de adaptação ao mundo digital, o fenômeno revela como até mesmo expressões faciais se tornaram pauta de debates sobre identidade, comportamento e as transformações das relações humanas no século 21.


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