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Sustentabilidade & Futuro

Obesidade infantil supera desnutrição globalmente em 2025, alerta Unicef

Redação

10 de setembro de 2025

Em um marco histórico alarmante, a obesidade infantil está prestes a superar a subnutrição como a principal forma de desnutrição entre crianças e adolescentes de 5 a 19 anos em 2025, atingindo cerca de 188 milhões de jovens em todo o mundo. A virada simboliza uma inversão perversa nos padrões nutricionais globais: o excesso substitui a carência como maior ameaça à saúde das novas gerações, em um cenário marcado pela expansão de dietas baseadas em produtos ultraprocessados e pela fragilidade das políticas públicas de alimentação.


Dados recentes da Unicef mostram que, entre 2000 e 2022, o número de crianças e adolescentes com sobrepeso dobrou, passando de 194 milhões para 391 milhões. Já a obesidade, considerada a forma mais grave de desnutrição por estar diretamente associada a doenças crônicas como diabetes, hipertensão, câncer e transtornos psicológicos, saltou de 3% para 8% da população nessa faixa etária. No mesmo período, a subnutrição recuou de 13% para 10%, preparando o terreno para que, pela primeira vez, o problema do excesso pese mais que a fome.


O relatório é categórico ao apontar a responsabilidade para um “ambiente alimentar tóxico”, sustentado por práticas agressivas da indústria de ultraprocessados. O marketing direcionado às crianças — inclusive dentro das escolas — normaliza o consumo de bebidas açucaradas, salgadinhos, biscoitos recheados e fast food, que substituem gradualmente frutas, legumes e proteínas frescas. O apelo desses produtos é reforçado por preços mais baixos em comparação com alimentos nutritivos, em especial em países de baixa e média renda, onde as famílias têm menos acesso a opções saudáveis.

A Unicef ressalta que a responsabilidade não recai sobre crianças ou pais, mas sobre um “fracasso coletivo da sociedade”.

A agência ainda rebate o mito de que atividade física pode neutralizar os efeitos da má alimentação. “É impossível escapar das consequências da junk food apenas através do exercício físico”, alerta o relatório, reforçando que políticas públicas precisam mirar diretamente a qualidade da comida disponível.


Embora mais visível em países ricos, onde as taxas de obesidade infantil alcançam patamares elevados — como no Chile (27%) e nos Estados Unidos (21%) —, a epidemia avança com velocidade em países em desenvolvimento. Pequenas nações do Pacífico já registram alguns dos índices mais altos do planeta, como Niue (38%), Ilhas Cook (37%) e Nauru (33%), onde a dependência de alimentos importados processados substitui dietas tradicionais. No Brasil, pesquisas nacionais mostram que uma em cada três crianças de 5 a 9 anos está acima do peso, refletindo a mesma tendência global.


Outro dado preocupante é a “dupla carga” de desnutrição e obesidade em contextos de crise humanitária. Em regiões marcadas por guerra, deslocamentos forçados ou pobreza extrema, grandes companhias do setor alimentício costumam doar produtos ultraprocessados como estratégia de marketing social, deixando populações vulneráveis sem alternativas além de alimentos de baixo valor nutricional. Essa contradição expõe um sistema alimentar global orientado mais pelo lucro do que pela saúde.


A Unicef pede medidas urgentes e vinculantes por parte dos governos. Entre elas, restrições à publicidade infantil, taxação de bebidas açucaradas, adoção de rótulos claros e frontais sobre os riscos à saúde, além de políticas de incentivo à produção agrícola de frutas, legumes e proteínas acessíveis. Para Catherine Russell, diretora da agência, a crise exige uma mudança estrutural: “É urgente instituir políticas que ajudem pais e cuidadores a acessar alimentos nutritivos e saudáveis. A saúde das crianças não pode ser sacrificada em nome do mercado”.

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