Política & Mundo
PSOL mantém expectativa por candidatura de Boulos ao Senado em 2026
Redação
21 de outubro de 2025

A nomeação do deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP) para o cargo de ministro da Secretaria-Geral da Presidência, anunciada oficialmente nesta segunda-feira (20), representa uma movimentação estratégica do governo Lula às vésperas do ciclo eleitoral de 2026. A mudança ministerial, que substitui Márcio Macêdo, ocorre em um contexto de reconfiguração das forças políticas que sustentam o terceiro mandato do presidente, com foco específico na reorganização da base dos movimentos sociais. Boulos assumiu o compromisso público de permanecer no cargo até o término do atual mandato presidencial, o que teoricamente o afastaria das disputas eleitorais do próximo ano.
Para Boulos disputar qualquer cargo eletivo em 2026, terá de deixar o ministério até abril. Será necessário, portanto, convencer o presidente Lula da conveniência de promover mais uma troca na Secretaria-Geral daqui a menos de seis meses.
O PSOL, contudo, mantém abertas as possibilidades de lançar seu principal expoente nacional na corrida por uma vaga no Senado por São Paulo. A avaliação interna do partido considera que Boulos possui condições políticas de reforçar o palanque estadual e fortalecer a bancada governista no Senado, em um cenário onde a direita projeta conquistar maioria na Casa. A presidente nacional do PSOL, Paula Coradi, afirmou que "ele (Boulos) é uma liderança de peso" e que "em uma eleição que promete ser tão acirrada como a do próximo ano, é certo que ele terá um papel importante, quer seja na disputa ao Senado por São Paulo, quer seja na eleição para a Câmara Federal".
A tensão entre o compromisso ministerial e as ambições eleitorais expõe as complexas negociações que permeiam a composição de forças no campo governista. Enquanto Boulos assume formalmente a missão de reorganizar a base dos movimentos sociais com vistas à reeleição de Lula, sua legenda mantém diálogo permanente com o Palácio do Planalto sobre o futuro eleitoral do novo ministro. A deputada Talíria Petrone (PSOL-RJ), líder do partido na Câmara, explicitou essa dualidade ao declarar que "o PSOL sabe da importância do papel do Guilherme, agora ministro, em todos os espaços" e que "é óbvio que uma candidatura ao Senado ajudaria demais no próximo governo Lula".
A disputa pelas vagas senatoriais em São Paulo configura-se como um dos tabuleiros mais estratégicos para 2026, com implicações diretas no equilíbrio de forças do Congresso Nacional. A tendência atual aponta para a reserva da segunda vaga na aliança governista ao PSB, sendo o vice-presidente Geraldo Alckmin um dos nomes cotados. Agora sob comando de Boulos, assume papel central nesse processo por sua atribuição de articular as agendas presidenciais com representantes de movimentos sociais.
A troca ministerial consolida-se como a décima terceira alteração na Esplanada durante o terceiro mandato de Lula, seguindo um padrão de ajustes graduais na equipe de governo. A mudança foi definida após reunião do presidente com Boulos, Macêdo e os ministros palacianos Rui Costa (Casa Civil), Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais) e Sidônio Palmeira (Comunicação Social). O anúncio formaliza conversas que vinham sendo mantidas há meses, conforme revelado anteriormente pela imprensa, quando Boulos já havia sinalizado disposição para assumir um ministério após ser sondado por Lula.
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