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Política & Mundo

PT enfrenta dificuldades para definir candidaturas ao Senado apesar de prioridade de Lula

Redação

26 de janeiro de 2026

Apesar de o presidente Lula (PT) ter pedido prioridade na definição das candidaturas, a direção do partido enfrenta dificuldades para lançar nomes competitivos nos principais colégios eleitorais do país. Levantamento indica que o partido tem hoje pré-candidatos em 18 estados, sendo que a maioria não desponta como favorito, o que torna ainda mais necessária a consolidação de alianças não apenas na esquerda. Neste ano, serão eleitos 54 senadores —dois por estado e o Distrito Federal, configurando um cenário eleitoral complexo que exige estratégias diferenciadas por região.


Em São Paulo, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), lidera as mais recentes pesquisas de intenção de voto, mas resiste em colocar seu nome na urna neste ano, independentemente da disputa. Outro nome bem posicionado é o do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), que, por sua vez, prefere compor de novo a chapa presidencial. Sem formar novas lideranças, o PT trabalha para ter de volta a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (Rede), que se lançaria ao Senado pelo partido que a elegeu duas vezes ao cargo, em 1994 e 2002, mas pelo Acre, com conversas avançadas que devem ser formalizadas em abril.


A indefinição da chapa paulista que representará a esquerda na disputa pelo Senado não é exceção, mas regra dentro do PT. Em outros estados, os nomes também já são carimbados, como o de Gleisi Hoffmann, no Paraná; o de Paulo Pimenta, no Rio Grande do Sul; o de José Guimarães, no Ceará; e o de Rui Costa, na Bahia. Do grupo, Costa é o único que aparece em primeiro lugar nos levantamentos eleitorais realizados até aqui, fazendo dobradinha com Jaques Wagner, em busca da reeleição, enquanto outros enfrentam cenários mais desafiadores.


O Rio Grande do Sul é um dos poucos estados com a chapa da esquerda definida, com o eleitorado gaúcho tendo outra defensora do governo Lula como opção: a ex-deputada Manuela d'Ávila, agora filiada ao PSOL. Neste ano, as candidaturas de aliados terão papel essencial no planejamento petista, com o PSB lançando os governadores Renato Casagrande (ES) e João Azevêdo (PB) pela primeira vez ao Senado e com grandes chances de vitória, demonstrando a importância das coalizões para o sucesso eleitoral.


Mais ao centro, o PSB ainda tem convites abertos para a filiação da ministra do Planejamento, Simone Tebet (MDB), e do senador Rodrigo Pacheco (PSD), ambos cortejados por Lula e o PT a disputarem cargos majoritários por São Paulo e Minas Gerais. O fato de a eleição deste ano ao Senado abrir duas vagas para cada estado pode favorecer nomes governistas, segundo o cientista político Murilo Hidalgo, CEO do Paraná Pesquisas, embora com variações regionais significativas que impactam as estratégias partidárias.


Neste ano, as pesquisas mostram por enquanto que a esquerda precisará de aliados em estados como Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina e Ceará, onde bolsonaristas comemoram vantagem a nove meses do pleito. No Rio, a chapa segue indefinida com diferentes alas defendendo nomes como a deputada Benedita da Silva, o sambista Neguinho da Beija-Flor e Laércio Ribeiro, evidenciando as dificuldades de consenso interno em regiões politicamente complexas.


No Nordeste, a vantagem dos emedebistas não é vista como ameaça, mas como alívio, com casos como Renan Calheiros em Alagoas, Eunício Oliveira no Ceará e Marcelo Castro no Piauí, que ainda tem o presidente estadual do PSD, Júlio Cesar, como pré-candidato de Lula. Já nas regiões Centro-Oeste e Norte, o PT e a esquerda em geral enfrentam dificuldades para serem competitivos, com poucas exceções como o Pará, que terá o governador Helder Barbalho (MDB), e o Amapá, com Randolfe Rodrigues.


É claro que ainda é cedo para avaliar pesquisas e cravar resultados, mas o cenário colocado para a disputa ao Senado não prevê, por hora, tendência de maioria absoluta para governo ou oposição. "Tudo indica que, mais uma vez, caberá ao Centrão definir para que lado o Senado caminhará", afirma Murilo Hidalgo, sugerindo um cenário de equilíbrio de forças que manterá o poder de barganha no centro do espectro político.

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