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Sustentabilidade & Futuro

Amarílis Aragão

Doutoranda em Desenvolvimento Sustentável, com experiência em gestão de Projetos de Ciência, Tecnologia, Inovacão e Sociedade

Quem serão os profissionais da Amazônia em 2035?

29 de setembro de 2025

Quando pensamos em políticas de desenvolvimento para a Amazônia, os holofotes quase sempre se voltam para grandes temas: a floresta, a bioeconomia, a infraestrutura, a soberania. Mas há um ativo decisivo, capaz de protagonizar mudanças profundas, que ainda recebe pouca atenção: o capital humano que está sendo formado hoje nas universidades, nos programas de mestrado e doutorado da região.


A Estratégia Brasil 2050, (referencial estratégico que busca orientar o desenvolvimento do país até 2050, mobilizando governo, setor privado, sociedade civil e academia para pensar em soluções sustentáveis, inclusivas e integradas), aponta para uma transformação histórica: nas próximas duas décadas, o Brasil viverá a inversão da pirâmide etária, com mais idosos do que jovens na população. Quero, portanto, convidar você, leitor, a refletir sobre essa temática que toca diretamente a sua própria longevidade. Essa mudança não pedirá meros ajustes, mas uma reconfiguração profunda das políticas públicas, sobretudo na saúde e na formação de profissionais capazes de enfrentar os novos cenários sociais que já se desenham.


Se hoje a formação em saúde na Amazônia se concentra em enfrentar endemias tropicais e suprir as carências da atenção básica em comunidades ribeirinhas e indígenas, o amanhã exigirá um repertório ainda mais amplo: cuidado geriátrico, prevenção de doenças crônicas, atenção domiciliar, telemedicina e políticas de bem-estar voltadas para uma sociedade que envelhece.


E não se trata de um exercício de mera predição. É a realidade estatística: o IBGE projeta que, em 2035, quase 20% da população brasileira terá mais de 60 anos. Na Amazônia, onde o envelhecimento se soma a desigualdades históricas e a enormes desafios de acesso, a pressão sobre o sistema de saúde será ainda maior.


Portanto, me dirijo especialmente a você, jovem leitor, que ainda se encontra diante da dúvida sobre qual caminho profissional seguir. A área da saúde desponta como uma escolha não apenas promissora, mas necessária e estratégica para o Brasil do futuro. Estamos falando de uma sociedade em que a maior parte da população demandará cuidados constantes, desde o acompanhamento preventivo até a atenção paliativa e a promoção do bem-estar.


O futuro da Amazônia não dependerá apenas de como cuidamos de sua biodiversidade, mas também de quem serão os profissionais que formarão a linha de frente desse cuidado. A floresta só será viva se as pessoas que nela vivem também tiverem assegurado o direito de envelhecer com dignidade. Como já advertia a importante geógrafa Bertha Becker, referência incontestável nos estudos sobre a Amazônia, a região não deve ser vista apenas do ponto de vista de sua biodiversidade, mas como território habitado, pulsante, atravessado por dinâmicas sociais e políticas. Pensar a Amazônia, e, neste caso, projetar um futuro próximo como o ano de 2035, exige compreender que o destino da região será definido tanto pela vitalidade da floresta quanto pela dignidade das pessoas. 


O futuro é, portanto, pensar floresta & gente como partes inseparáveis de um mesmo caminho

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