Política & Mundo
STF retoma julgamento sobre descriminalização do aborto
Redação
18 de outubro de 2025

O Supremo Tribunal Federal retomou às 20h desta sexta-feira o julgamento sobre a descriminalização do aborto, em decisão tomada pelo presidente da Corte, ministro Edson Fachin. A sessão virtual permanecerá aberta para votação até as 23h59 de segunda-feira, marcando um momento crucial na análise de um tema que divide opiniões no cenário jurídico e político brasileiro. O retorno do processo ocorre após solicitação do ministro Luís Roberto Barroso, que havia pedido destaque do caso em setembro de 2023, suspendendo temporariamente a tramitação da ação que discute a constitucionalidade da criminalização da interrupção voluntária da gravidez.
A retomada do julgamento coincide com o último dia de Barroso como ministro do Supremo, que deixará a Corte a partir deste sábado após anunciar aposentadoria antecipada. O timing da decisão levanta questões sobre a composição futura do tribunal e o equilíbrio de forças em temas sensíveis. A ação que motiva o julgamento foi protocolada pelo PSOL em 2017, representando um movimento estratégico do partido para colocar em pauta uma discussão que envolve direitos fundamentais, autonomia corporal e políticas públicas de saúde, em um contexto de polarização política crescente no país.
O partido defende que a interrupção da gravidez até a 12ª semana deixe de ser crime, alegando que a criminalização atual afeta a dignidade da pessoa humana e atinge principalmente mulheres negras e pobres. Esta argumentação coloca em evidência as desigualdades sociais e raciais no acesso a serviços de saúde, enquanto setores conservadores mantêm resistência baseada em valores religiosos e concepções sobre o início da vida. O debate transcende o âmbito jurídico para alcançar dimensões políticas e sociais profundas.
Até o momento, o julgamento conta apenas com o voto da ex-ministra Rosa Weber, que antes de se aposentar em 2023 apresentou posicionamento favorável à descriminalização do aborto até a 12ª semana de gestação. A ausência de outros votos registrados até esta retomada indica a complexidade do tema e a cautela dos demais ministros em se posicionar sobre uma questão com tamanha repercussão social e política, que pode definir rumos importantes para as políticas de saúde pública e direitos reprodutivos no país.
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