top of page

Cultura & Sociedade

Talibã proíbe livros de autoras mulheres nas universidades afegãs

Redação

19 de setembro de 2025

Nas bibliotecas universitárias do Afeganistão, uma revisão meticulosa está em curso para eliminar sistematicamente qualquer obra escrita por mulheres. O governo talibã decretou a remoção de todos os livros de autoras femininas dos currículos acadêmicos, numa medida que aprofunda o cerco à participação intelectual das mulheres na sociedade afegã. Um membro do comitê de revisão de livros didáticos confirmou categoricamente que "todos os livros escritos por mulheres não podem ser ensinados", estabelecendo uma censura baseada exclusivamente no gênero do autor.


A lista de livros proibidos alcança pelo menos 679 títulos, considerados "antixaria e contrários às políticas do Talibã", abrangendo desde textos sobre direito constitucional e movimentos políticos islâmicos até estudos sobre direitos humanos, questões de gênero e pensamento político ocidental. O decreto educacional também proíbe cursos considerados "em conflito com a Sharia islâmica", criando um critério vago que permite a exclusão arbitrária de disciplinas inteiras baseadas em interpretações particulares da lei religiosa.


Esta não é a primeira investida contra a educação feminina desde que o Talibã retomou o poder há quatro anos. O grupo já havia barrado a educação de meninas acima do sexto ano (12 anos de idade), alegando incompatibilidade com sua interpretação do Islã - embora nenhum outro país de maioria muçulmana proíba a educação feminina. A contradição é evidente: a Sharia não proíbe mulheres e meninas de estudar, e o Islã tem uma longa tradição de estudiosas e escritoras, incluindo a fundadora da universidade mais antiga do mundo no Marrocos, no século IX.


Zakia Adeli, ex-vice-ministra da Justiça e autora de um dos livros banidos, não se surpreendeu com a medida. "Considerando o que o Talibã fez nos últimos quatro anos, não era exagerado esperar que impusessem mudanças no currículo", afirmou. "Dada a mentalidade misógina e as políticas do Talibã, é natural que quando as próprias mulheres não têm permissão para estudar, suas visões, ideias e escritos também sejam suprimidos."


Além dos livros de autoras mulheres, outras 300 obras de autores iranianos ou publicadas por editoras iranianas também estão sendo alvo da censura, numa tentativa explícita de "prevenir a infiltração de conteúdo iraniano" no currículo afegão. Esta medida reflete as tensões geopolíticas entre os dois países vizinhos, agravadas recentemente pela expulsão de mais de 1,5 milhão de afegãos que viviam no Irã.


As universidades receberam ordens para parar de lecionar 18 disciplinas, seis das quais especificamente sobre mulheres, incluindo gênero e desenvolvimento, enquanto outras 201 disciplinas estão sob revisão. Fontes em Cabul alertam que a proibição de um número tão significativo de livros didáticos pode paralisar o sistema de ensino superior do país, forçando as instituições a dedicar recursos substanciais para encontrar e adquirir substitutos adequados.


O decreto é apenas o mais recente numa série de restrições educacionais impostas pelo Talibã, que incluiu a demissão de centenas de professores sob a alegação de que "se opunham" à ideologia do grupo e o aumento de disciplinas religiosas obrigatórias em todas as faculdades. A proibição nacional de mulheres em universidades públicas e privadas já havia sido amplamente condenada por países de maioria muçulmana, incluindo Arábia Saudita, Catar e Turquia.



LEIA TAMBÉM

ofluxo-icon-branco.png

Futebol, Carnaval e deixar tudo para cima da hora: as três paixões do paraense

ofluxo-icon-branco.png

A matemática da sorte: quando R$ 8,5 milhões mobilizam milhões de apostadores

Com o prêmio da Dupla Sena acumulado em R$ 8,5 milhões, o país observa mais um capítulo do complexo fenômeno das loterias, onde probabilidades astronômicas coexistem com esperanças concretas e um mercado que movimenta valores significativos.

ofluxo-icon-branco.png

O Fim da Moda Seca: Por que o Dry January se Tornou uma Campanha Vazia

Em meio ao declínio histórico do consumo de álcool, o movimento Dry January é criticado como uma campanha social performática e desnecessária, enquanto as bebidas sem álcool são questionadas em sua utilidade real.

bottom of page