top of page

Negócios & Transformação

Três gigantes da tecnologia chinesa estreiam com alta na bolsa de Hong Kong, levantando US$ 1,19 bilhão

Redação

8 de janeiro de 2026

Três empresas de tecnologia chinesas recém-lançadas na bolsa de Hong Kong encerraram o pregão de quinta-feira com ganhos expressivos, levantando um total de HK$ 9,3 bilhões (US$ 1,19 bilhão). Esse desempenho robusto representa um impulso significativo para a estratégia de Pequim de competir com a tecnologia de ponta dos Estados Unidos e eleva as expectativas de mais um ano movimentado para ofertas públicas iniciais (IPOs) no centro financeiro asiático. Todas as debutantes fecharam acima dos preços de oferta, com a empresa de inteligência artificial Zhipu AI, também conhecida como Knowledge Atlas Technology, abrindo 3,3% acima do preço de HK$ 116,20 por ação e finalizando com alta de 13,2% a HK$ 131,50. A Shanghai Iluvatar CoreX, uma fabricante de semicondutores, iniciou os negócios com um salto de 31,6% em relação ao preço de oferta de HK$ 144,60, fechando a 8,4% de alta a HK$ 156,80. Já a Shenzhen Edge Medical, especializada em robótica cirúrgica, disparou 36,4% acima do preço de HK$ 43,24, encerrando o dia com valorização de 30,9% a HK$ 56,60.


As autoridades chinesas estão acelerando as listagens de empresas de IA e chips para fortalecer alternativas domésticas à tecnologia avançada norte-americana, um cenário que tem atraído emissores de diversos setores tecnológicos. O spin-off de servidores de IA da Huawei, xFusion, contratou a Citic Securities em preparação para um IPO na China continental, enquanto a fabricante de chips de memória ChangXin Memory Technologies e a divisão de chips de IA da Baidu, Kunlunxin, também planejam listagens, conforme reportado pela Reuters. Esse movimento estratégico reflete uma política industrial deliberada para reduzir a dependência de tecnologia estrangeira e construir uma cadeia de suprimentos tecnológica autossuficiente, com o mercado de capitais servindo como um mecanismo crucial para canalizar recursos para essas empresas de ponta.


A Zhipu AI, originária da Universidade Tsinghua, levantou HK$ 4,35 bilhões a HK$ 116,20 por ação, alcançando uma valorização próxima de HK$ 51 bilhões. A empresa planeja usar a maior parte dos recursos para pesquisa e desenvolvimento, com investidores âncora incluindo o JSC International Investment Fund e o JinYi Capital Multi-Strategy Fund, entre outros. Marco Sun, analista-chefe de mercado financeiro do MUFG (China), argumenta que os ganhos moderados nos IPOs, particularmente da Zhipu AI, não devem ser vistos como um esmorecimento do entusiasmo pela IA. "Os investimentos em estágio inicial ainda não foram realizados para obter lucro", afirmou Sun. "A história da IA da China está apenas começando a se desenrolar, então é muito cedo para tirar conclusões."


Fundada em 2019, a Zhipu AI tornou-se uma protagonista no esforço chinês pela liderança em inteligência artificial. Em junho passado, a OpenAI a destacou como uma rival em rápida ascensão, enquadrando a empresa dentro da estratégia de Pequim para expandir a IA desenvolvida na China no exterior. Zheng Peng, CEO da Zhipu AI, descreveu a expansão internacional da empresa como meramente "negócios normais". Dan Ouyang, sócio do escritório de advocacia Baker McKenzie, que assessorou o IPO da Zhipu AI, declarou: "Como pioneira no setor de IA, esta listagem fornecerá à empresa capital significativo para alimentar sua próxima fase de crescimento."


A Shanghai Iluvatar CoreX, projetista de GPUs de uso geral, levantou HK$ 3,48 bilhões, com seu preço de oferta conferindo uma capitalização de mercado próxima de HK$ 36,8 bilhões. A empresa destinou a maior parte dos recursos para P&D em chips, aceleradores e software. A Shenzhen Edge Medical arrecadou cerca de HK$ 1,12 bilhão, que financiarão seu desenvolvimento de pesquisa, comercialização, capacidade de fabricação e aquisições estratégicas, contando com investidores âncora como a Abu Dhabi Investment Authority, OrbiMed, UBS AM Singapore e o Huang River da Tencent. O desempenho do trio servirá como um termômetro para avaliar se Hong Kong poderá estender a retomada de IPOs do ano passado, que arrecadou US$ 37,2 bilhões em 115 novas listagens – o melhor resultado desde 2021, segundo dados da LSEG. O pipeline de estreias continua a crescer, com a MiniMax Group, outra empresa chinesa de IA, e a fabricante de chips OmniVision Integrated Circuits programadas para começarem a negociar na sexta-feira. Janice Hu, chefe da UBS na China e presidente da UBS Securities, observou que as empresas chinesas de IA e alta tecnologia listadas valem cerca de US$ 5 trilhões, contra aproximadamente US$ 30 trilhões nos EUA, acrescentando: "A China ainda precisa produzir um player de US$ 1 trilhão. É apenas uma questão de tempo."

LEIA TAMBÉM

ofluxo-icon-branco.png

China revoluciona IA com eficiência 35 vezes mais barata e cria nova ordem tecnológica global

A transformação chinesa em inteligência artificial, impulsionada por sanções comerciais, criou um ecossistema que supera modelos ocidentais em custo e aplicação prática, com implicações diretas para o mercado brasileiro e global.

ofluxo-icon-branco.png

Investimento chinês impulsiona recuperação do mercado imobiliário de Hong Kong

Capital da China continental atinge maior nível em cinco anos e deve elevar transações comerciais em 10% em 2026, segundo consultoria Colliers

ofluxo-icon-branco.png

Superávit comercial da China atinge US$ 1,2 trilhão em 2025, superando guerra tarifária com EUA

Apesar das tarifas agressivas dos EUA, a China registrou um superávit recorde de US$ 1,19 trilhão em 2025, com exportações crescendo 5,5% para US$ 3,77 trilhões. A diversificação para mercados emergentes compensou a redução no comércio com os americanos.

bottom of page