Política & Mundo
Trump enfrenta revolta no Senado americano por causa do tarifaço
Redação
25 de outubro de 2025

Donald Trump enfrenta o risco de ver o Senado norte-americano derrubar as tarifas de 40% impostas ao Brasil na próxima semana, mesmo com votos de republicanos correligionários. A ameaça surge às vésperas da reunião do presidente americano com Lula no próximo domingo, na Malásia.
O governo Trump entra na quarta semana de shutdown causado pela falta de apoio político suficiente para aprovar um orçamento no Congresso. Os Democratas estabeleceram como prioridade da próxima semana a tentativa de revogar ao menos parte das tarifas impostas pela Casa Branca ao redor do mundo.
Três projetos de lei questionam a autoridade de Trump para impor as chamadas "tarifas recíprocas" e as sobretaxas ao Canadá e ao Brasil. Todas essas tarifas foram impostas sob o arcabouço da Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional, o que muitos parlamentares consideram ilegal.
No caso do Brasil, as taxas estão em vigor desde 6 de agosto e atingem cerca de 60% dos produtos brasileiros exportados aos EUA. Um projeto de lei bipartidário reúne senadores como Tim Kaine (Democrata da Virgínia), Rand Paul (Republicano do Kentucky), Chuck Schumer (Democrata de Nova York), Peter Welch (Democrata de Vermont), Angus King (Independente do Maine), Jeanne Shaheen (Democrata de New Hampshire) e Ron Wyden (Democrata de Oregon).
O republicano Rand Paul afirmou que há ao menos 10 Estados de fazendeiros duramente afetados pela política tarifária de Trump, e que, portanto, há ao menos 20 senadores republicanos que deveriam questionar "esta política pública ruim".
"A China não está comprando nenhuma soja nossa este ano. A guerra tarifária com a China levou a isso. E eles [os senadores republicanos] não têm coragem porque o presidente é republicano. E, francamente, eles estão com medo", afirmou Paul, que enfrenta ataques de Trump por se posicionar de modo contrário à Casa Branca.
Em guerra comercial com os EUA, a China passou a comprar soja apenas do Brasil e da Argentina, como forma de pressionar o governo Trump, que tem sofrido com críticas dos agricultores norte-americanos.
O assunto irrita especialmente Trump, que recentemente suspendeu as negociações de tarifas com o Canadá após viralizar uma propaganda paga pelo governo da província canadense Ontário que usava um vídeo antigo do ex-presidente Ronald Reagan criticando o uso de tarifas como política econômica.
Se for aprovado no Senado, o projeto provavelmente deve naufragar na Câmara, onde Trump detém uma maioria com mais lealdade, embora mesmo ali estejam aumentando as críticas às políticas tarifárias do governo.
Há 10 dias, a deputada republicana Marjorie Taylor Greene, conhecida representante MAGA, disse que as sobretaxas têm causado "solavancos" aos norte-americanos. "Estamos tendo problemas com essas tarifas", disse Greene, reclamando de falta de suprimentos da China e expressando preocupação com aumento de preços.
A inflação em 12 meses atingiu 3% em setembro, um aumento, embora em ritmo desacelerado. A crítica de Taylor Greene levou a uma resposta do porta-voz da Casa Branca Kush Desai, em defesa das políticas econômicas de Trump: "À medida que os cortes de impostos pró-crescimento, a desregulamentação e os acordos comerciais sem precedentes do governo continuam a entrar em vigor, os americanos podem ter certeza de que o melhor ainda está por vir."
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