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Sustentabilidade & Futuro

União Europeia falha em cumprir metas climáticas globais

Redação

19 de setembro de 2025

A União Europeia, tradicional defensora do combate às mudanças climáticas, confirmou que não cumprirá o prazo global para estabelecer novas metas de corte de emissões, revelando uma contradição alarmante entre o discurso ambicioso e a incapacidade de implementação prática. Ministros do Clima dos países do bloco admitiram as divergências entre governos que impediram o acordo sobre objetivos climáticos para 2040 e 2035, essenciais para conter o aquecimento global dentro dos limites científicos estabelecidos.


O não cumprimento do prazo representa um golpe significativo para a credibilidade da UE, que deveria se juntar a outras potências mundiais nas Nações Unidas para apresentar compromissos atualizados antes das negociações climáticas da COP30, marcada para novembro no Brasil. Enquanto principais emissores como China devem cumprir o prazo e a Austrália já anunciou sua meta, a Europa fica para trás justamente quando sua liderança seria mais crucial.


Os países-membros, incluindo potências como Alemanha, França e Polônia, exigiram que os líderes governamentais discutissem primeiro a meta de 2040 em uma cúpula em outubro, inviabilizando as negociações sobre ambos os objetivos. Como paliativo, os ministros concordaram em enviar uma "declaração de intenções" à ONU, prometendo reduzir emissões entre 66,25% e 72,5% até 2035 e apresentar a meta final antes da COP30.


O comissário climático da UE, Wopke Hoekstra, tentou defender o histórico do bloco afirmando que "continuamos a estar entre os absolutamente mais ambiciosos no cenário global", mas a realidade mostra que as crescentes preocupações com custos das medidas climáticas e a pressão para aumentar gastos com Defesa e setor industrial provocaram resistência de Estados-membros. Líderes europeus enfrentam desafios políticos de partidos populistas que se opõem às políticas ambientais, enquanto nações mais pobres do Leste Europeu temem o impacto econômico.


Alguns países alertaram que a não finalização da meta climática até a COP30 pode enfraquecer drasticamente a posição da UE nas conversas globais, onde quase 200 países negociarão medidas cruciais para enfrentar o aquecimento global. A ministra finlandesa do Clima, Sari Multala, sintetizou o dilema: "É difícil para nós exigir que os outros, nossos parceiros internacionais, façam o mesmo se nós mesmos não cumprirmos".


O impulso global para enfrentar as mudanças climáticas sofreu revezes significativos, incluindo a reversão dos compromissos climáticos dos Estados Unidos pelo presidente Donald Trump e a dificuldade dos governos em equilibrar proteção ambiental com desafios econômicos e geopolíticos. A UE, que tradicionalmente pressionou por acordos climáticos ambiciosos citando suas próprias políticas como exemplo, agora enfrenta o risco de perder sua autoridade moral nesta questão existencial para o planeta.


O secretário de Estado do Clima da Alemanha, Jochen Flasbarth, advertiu que "devemos tomar cuidado para não dividir ainda mais a UE em relação às políticas climáticas", reconhecendo que as decisões nunca foram fáceis e sempre envolveram grandes debates. Esta divisão interna ocorre precisamente quando a ciência clama por ações mais urgentes e coordenadas, colocando em risco não apenas a credibilidade europeia, mas o próprio sucesso das negociações climáticas globais que determinarão o futuro ambiental do planeta.

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