Categoria

Andrés Obregón
Dirigente do Vente Venezuela, ex-preso político e opositor ao regime de Nicolás Maduro
Venezuela, eco de Liberdade
9 de setembro de 2025

[texto traduzido do espanhol para o português] Venezuela, terra de montanhas, planícies e costas banhadas pelo Caribe, transformou-se em um espaço onde os sonhos de sua juventude parecem chocar, dia após dia, contra os muros da realidade. Não é segredo que os jovens venezuelanos vivem presos entre a esperança e o desespero, entre a ilusão de um amanhã melhor e a dureza de um presente que lhes nega oportunidades.
O país, outrora motor de progresso na região, hoje exibe universidades semivazias, hospitais sem insumos, quadras esportivas em ruínas e teatros que sobrevivem a duras penas. A juventude, que deveria ser a protagonista do futuro, encontra-se condenada a esperar, resistir e sobreviver em meio a um país que parece caminhar de costas para suas aspirações.
Muitos jovens anseiam por estudar, se formar e exercer com orgulho a profissão que escolheram. Sonham em vestir um jaleco branco, em dar aulas para novas gerações, em projetar pontes e estradas, em fazer ciência ou simplesmente em atuar em um campo de trabalho especializado. No entanto, o panorama universitário é desolador: prédios deteriorados, professores que abandonam as salas de aula por salários indignos, laboratórios sem equipamentos, bibliotecas apagadas.
A juventude acadêmica luta contra a precariedade enquanto vê seus títulos, antes reconhecidos mundialmente, hoje sendo questionados. O futuro, que deveria nascer nas salas de aula, torna-se uma amarga interrogação.
Em cada conversa, os jovens confessam que sonham em viajar, conhecer o mundo e expandir seus horizontes. Mas a realidade é que, na Venezuela, até obter um passaporte é um calvário. O preço de uma passagem aérea equivale a anos de trabalho, e as oportunidades de mobilidade internacional ficam restritas a poucos privilegiados.
Assim, muitos sentem que seu país se transformou em uma prisão invisível, um espaço que os retém sem grades, mas com carências que pesam mais que o aço.
Há décadas, a Venezuela revelou atletas, músicos e artistas que se tornaram embaixadores do talento nacional. Porém, hoje, a juventude que treina em quadras improvisadas ou ensaia em salas sem equipamentos enfrenta o abandono e a irresponsabilidade, tudo encoberto por um espetáculo midiático promovido pelo aparato comunicacional do regime venezuelano, que busca transmitir uma falsa “paz”.
Os atletas carecem de recursos básicos para competir; os artistas não encontram apoio para se formar nem palcos para mostrar seu talento. Muitos são obrigados a emigrar e representar outras bandeiras, levando consigo a dor de não poder erguer a sua com dignidade.
O drama dos jovens venezuelanos não é fruto do acaso. É consequência direta de decisões desumanas, de um modelo que colocou seus interesses acima do bem-estar coletivo, de um poder que fechou as portas à liberdade e à justiça.
A hiperinflação, os serviços colapsados, a falta de segurança e a corrupção roubaram da juventude as condições mínimas para crescer. Não se trata apenas da falta de oportunidades: é um projeto de vida roubado, uma geração obrigada a viver entre a resistência e o êxodo.
E, ainda assim, apesar de tudo, a juventude venezuelana não deixou de sonhar. Sonham em voz baixa, nas bibliotecas silenciosas, nos bairros onde a luz falta, nas quadras de terra onde a bola ainda rola. Sonham com um país onde o esforço valha a pena, onde o talento não se perca, onde a bandeira tricolor volte a ser motivo de orgulho e não de nostalgia.
São ecos de liberdade que ressoam em cada jovem que se recusa a desistir. Ecos que, mesmo que tentem silenciar, ressoam na música, no esporte, na arte e na ciência. Ecos que anunciam que a juventude venezuelana, apesar das correntes, ainda tem asas.
Porque um país sem juventude sonhadora está condenado a morrer. E os jovens venezuelanos, mesmo que hoje sejam forçados a sobreviver entre ruínas, são a chama que ainda mantém acesa a esperança de que a Venezuela, um dia, voltará a ser um lugar onde sonhar não seja um ato de resistência, mas um direito.
